Você já se imaginou fazendo suas tarefas diárias com os braços anestesiados? Já imaginou tentar dormir com pequenas pedrinhas pontudas nas suas costas? Seria uma tortura tentar algo do tipo, não é? Pois tais sensações físicas são vivenciadas cotidianamente e com muito mais intensidade por quem sofre de Lesões por Esforços Repetitivos ou os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/Dort), que envolvem as tendinites, tenussinovites, cervicalgias, dentre outros.
Trata-se de um adoecimento que, aparentemente, tem sintomas físicos, mas traz armadilhas psíquicas. Para que os tendões inflamem a fim de causar os Dort’s, são necessárias demandas sem qualquer descanso, além de controle rígido sobre a execução das tarefas. Apesar de que em alguns setores existam gestores que ajudam a exercer este controle, o peso de errar, de não dar conta de um alto volume de trabalho, de ser taxado o ruim, de ser exposto no ranking como “lanterninha”, as possíveis humilhações, o possível descomissionamento ou a possível demissão são ótimos controladores invisíveis neste ambiente de trabalho.
Desta forma, o trabalhador fica mais concentrado no medo do que no próprio trabalho, ficando impedido de pensar, sentir e refletir sobre esse trabalho. Ao somar a impossibilidade de reflexão com alto volume de trabalho gera o resultado de que tarefas repetitivas simples e a alta competitividade entre os funcionários têm um forte indício de adoecimento no trabalho por esforço repetitivo.
O trabalhador se vê dentro de um jogo no qual vale fazer mais pontos. Mas será que isso mede realmente quem é o bom funcionário? Bem, não há tempo nem espaço para reflexão. Aprisionado na ética e responsabilidade sobre o trabalho, contornar erros e proporcionar o bom atendimento se tornam tarefas exaustivas. Para torná-las menos cansativas seria necessário renunciar a esta qualidade e cair no famoso “arroz com feijão”. Assim, começam as jornadas extensas e as pequenas dores. Porém, reconhecer essa dor não é cabível dentro do jogo dos desempenhos fantásticos, sendo negada com uso de relaxantes musculares, analgésicos e antiinflamatórios.
Perceba que a situação causadora do investimento no trabalho, mesmo doendo não é resolvida, na verdade, é ignorada. A gravidade aumenta: formigamentos, fisgadas, incômodos, dores mais constantes. Mesmo assim, o trabalhador não consegue ver que sua dedicação a este trabalho está lhe causando isso. Essa cegueira, entorpecida pelos prêmios e o falso senso de utilidade, impede atribuir as dores ao trabalho. Começa uma saga na tentativa de ainda se manter ativo, mas em vão. Seu desempenho não acompanha o ritmo e a incapacidade toma conta do emocional.
Estudos em Psicodinâmica do Trabalho mostraram que o desenvolvimento de LER/Dort traz um agravo psíquico: a depressão. O trabalhador se deprime por não dar conta, por não estar mais dentro da competição, por se tornar inútil, além dos desgastes emocionais com as dores. A briga agora é consigo: é necessário que se faça terapia, acompanhamento com ortopedista, reumatologista, neurologista... é uma imensa “lista” para quem só tinha preocupação com números. É um caminho que não tem volta, apenas há como evitar piora. Além das dores, dos inchaços, das noites mal dormidas, das piadas dos colegas, das humilhações dos peritos, resta conviver com a constante sensação de ter sido totalmente descartado... a troco de quê?
Para mais orientações sobre o que fazer em caso de diagnóstico de LER/Dort ou sobre como se prevenir, entre em contato com o Sindicato. O telefone é 3262-9026 e o email é secsaude@bancariosdf.com.br. Ajude a mudar essa realidade.
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