

Muita musicalidade, pluralidade de povos e, sobretudo, resistência, marcaram a abertura do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), na manhã deste sábado (17), no Centro Comunitário da Universidade de Brasília. A iniciativa é composta por mais de 33 entidades dos vários segmentos sociais e estende-se até a quinta (22). O objetivo é debater, de forma democrática, a questão da água como um direito humano básico e propor melhorias para sua preservação e distribuição.
O movimento é uma contraposição ao Fórum Mundial da Água, − Fórum das Corporações −, um espaço político que também acontece em Brasília, e reúne grandes empresas para discussão de estratégias para privatização dos recursos hídricos.
No primeiro momento da abertura, povos indígenas conduziram as atividades e realizaram um ritual místico, onde invocaram as forças da natureza para fortalecer a luta pela água como direito social. Em seguida, na Assembleia Popular das Águas, representantes de vários movimentos participaram de uma roda de conversa, onde explanaram suas lutas específicas contra a mercantilização da água e denunciaram os ataques de grandes organizações.
Silvia Lafaiete, pescadora do Espírito Santo, denunciou como a exploração de petróleo pela Petrobrás destrói seu local de trabalho e polui suas águas. “Pedimos socorro, não bebemos água mineral. Precisamos da água limpa! Estamos tomando água contaminada”, disse.
Já Thiago Ávila, da Coordenação Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores, destacou a importância da diversidade e democracia nos debates. Para ele, as ações debatidas conjuntamente são mais consistentes.
“Para nós, só é possível a preservação da água e frear a destruição do planeta através da coletividade. Acreditamos que a privatização dos recursos hídricos é um erro, pois, além de rejeitar a distribuição da água aos povos, nega também à natureza. O FAMA tem essa diversidade e pluralidade de povos. Essa síntese que está se formando aqui é algo sem precedentes que vai trazer muita força para as lutas pela água ao redor do mundo”, avaliou o militante.
No período da tarde e no domingo (18), também nos espaços da UnB, acontecem as atividades autogestionadas, promovidas pelos movimentos que compõe o FAMA. Já de segunda a quinta, as ações ocorrem no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.
Fonte: CUT Brasília
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