A campanha desenvolvida pelos grandes veículos de comunicação, repercutindo o discurso pela privatização do BRB, é resultado dos ataques que os bancos privados realizam contra o patrimônio público em todas as áreas. Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo e outros meios de comunicação portam-se distorcendo a realidade e escondendo as verdadeiras causas que conduziram o BRB à situação que hoje enfrenta. Tentam livrar os responsáveis, que têm seus nomes e interesses escondidos propositalmente em suas linhas editoriais.
O Estadão, por exemplo, afirma que a “privatização do BRB é blindagem contra corrupção”, dando a entender que tudo o que é público é corrupto, sem apontar quem são os corruptores, que tudo fazem para saquear o patrimônio público. O jornalão afirma ainda que a “venda do banco é caminho razoável”, expondo claramente sua campanha contra o banco público. Não fala, porém, que os dirigentes do BRB foram colocados pelo governador de Brasília com a clara finalidade de enfraquecer o banco.
Outro porta-voz do mercado, O Globo, chegou a publicar um editorial, em 27 de fevereiro, com o título “É melhor privatizar o BRB”. No artigo “O Globo, a voz contra o BRB e a favor da destruição dos bancos de fomento”, o Sindicato destaca o papel panfletário do jornal, que serve aos interesses de poderosos para saquear o bem público: “Esse é o verdadeiro objetivo de O Globo, como porta-voz dos banqueiros que atuam como aves de rapina contra o Sistema Financeiro Nacional, com a finalidade de acabar com os bancos públicos e ter o controle total do sistema financeiro do Brasil”. O mesmo jornaleco, em 5 de abril, afirmou que “o Banco de Brasília é menor que o Master”. Mentem de maneira proposital para entregar um banco sólido aos mercadores do sistema financeiro. Deixam claro que querem salvar as espeluncas do sistema financeiro apropriando-se do bem público.
A prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa trouxe à baila muitas informações, que certamente serão complementadas com o desenrolar do processo de investigação e, quem sabe, de eventual delação, principalmente de fatos relacionados ao papel do ex-governador Ibaneis Rocha. Aliás, é importante perceber que esses citados órgãos da “grande imprensa” têm blindado essa figura em suas reportagens.
De acordo com investigadores, Paulo Henrique teria recebido de Daniel Vorcaro pelo menos seis imóveis, avaliados em R$ 146 milhões, em troca de facilitar o esquema envolvendo o banco, além de relatos que descrevem situações recorrentes de constrangimento de PH em reuniões internas, cobranças consideradas excessivas e comportamentos que teriam provocado medo e humilhação entre servidores desde o início da gestão. Sempre com a finalidade de cumprir um roteiro preestabelecido: fragilizar a instituição para entregá-la aos seus chefes.
Desde o início do governo de Ibaneis Rocha, em 2019, quando Paulo Henrique Costa foi alçado pelo então governador à presidência do BRB, a política do banco foi direcionada para atender a interesses diferentes das finalidades de um banco público: desmontou o conglomerado do BRB com a venda das empresas nas chamadas parcerias de negócios, investiu pesado em marketing e publicidade, superando por vezes até o limite legal, conforme verificado em processos administrativos em andamento, priorizou negócios que não traziam retorno para a instituição e passou a financiar transações para seu grupo político.
A gestão temerária, e agora reconhecidamente fraudulenta, de Paulo Henrique também foi marcada pelo descumprimento de prazos de apresentação e consistência de documentos e relatórios financeiros e regulatórios. E, para fechar, associou-se a parceiros de mercado vinculados ao “ecossistema Master”, que quase arrastou o BRB para a Operação Compliance Zero.
Aliás, na cobertura do caso Master pelos citados órgãos da grande imprensa, outra figura ausente das apurações e bastidores divulgados é Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Por que essa parcela da imprensa não apura de verdade a motivação e a conformidade da decisão da gestão Campos Neto no BC de autorizar a aquisição, por Daniel Vorcaro, do Banco Máxima em outubro de 2019, mesma operação que havia sido negada oito meses antes na administração do presidente anterior do BC?
O caso do Banco Master foi a tentativa final de destruir o BRB. Tentaram fazer uma transação denunciada desde o começo pelo Sindicato dos Bancários de Brasília e por parlamentares como um duro golpe nas finanças do DF e uma tentativa de entregar o BRB aos seus amigos especuladores e corruptos, apoiados pela mesma imprensa, que agora defende sua privatização.
O que se verifica na linha editorial desses veículos, com um discurso que distorce a percepção da realidade, é que estão habituados a usar suas alucinações e delírios para seguir destruindo o Estado e saqueando o patrimônio público e, assim, escondendo, protegendo e servindo aos verdadeiros corruptos, que usaram o BRB como patrimônio pessoal para servir aos seus negócios.
Da Redação
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