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17 de Março de 2011 às 11:18

8 de Março: Debate aponta os principais desafios para a mulher do século XXI

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Para comemorar o Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Sindicato realizou na noite desta quarta-feira 16, em parceria com a CUT-DF, debate no Teatro dos Bancários sobre o tema “Mulher no século XXI: lutas, conquistas e desafios”.


Participaram do evento a Assessora Especial da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal, Tatau Godinho; a secretária de Políticas de Ações Afirmativas do governo federal, Anhamona de Brito; a deputada federal Erika Kokay; a deputada distrital Rejane Pitanga; e a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) Mirian Fochi.

 

Segundo Talita Regia, diretora do Sindicato, o evento é uma homenagem a todas as mulheres que enfrentam lutas diárias para se posicionar no mercado de trabalho e na sociedade. “Precisamos ter consciência do que realmente envolve a luta pela igualdade de direitos para conquistarmos nosso espaço e alcançarmos uma sociedade mais justa”, enfatiza Talita.

 

Foram tratados assuntos como as conquistas já alcançadas pelas mulheres, os desafios que ainda existem, a desigualdade racial com foco nas questões femininas, a educação e creches de qualidade para viabilizar o crescimento profissional, a atuação na política e a luta pelo fim da violência doméstica.

 

Mirian Fochi, diretora da Contraf-CUT, abordou a forma como as mulheres são atingidas pelo sistema capitalista, sendo sempre vítimas quando de reformas trabalhistas. Isso acontece, segundo a diretora, por elas estarem sempre em posições precárias em relação aos homens tanto em ambientes profissionais quanto em ambientes domésticos.


“Por isso precisamos de mulheres no movimento sindical. Elas têm esse olhar mais abrangente capaz de enxergar as limitações impostas, muitas vezes de forma tão sutil que se torna quase imperceptível, e de promover mudanças significativas nos ambientes em que fazem parte”, explicou Mirian.

 

A secretária de Políticas de Ações Afirmativas do governo federal, Anhamona de Brito, defendeu a proposta trazida pelo Sindicato e pela CUT-DF de discutir as iniciativas que vão ao encontro dos interesses das mulheres em geral e falou sobre racismo e opressão de gênero.

 

“Os homens brancos ainda concentram um numero significativo de atores nos espaços mais expressivos de poder e nos cargos de comando ocupados por mandato eletivo. Não significa que as mulheres têm menos interesse. Ao contrário, percebemos que elas ainda sofrem. Algumas por serem mulheres, outras por serem mulheres negras. O desafio imposto aqui é de voltar o olhar para essa situação e lutar para que essa realidade seja transformada”, explanou Anhamona.

 

A deputada distrital Rejane Pitanga enfatizou a tripla jornada de trabalho que muitas mulheres enfrentam. “Nós temos que pensar e refletir sobre esse assunto. Muitas vezes não conseguimos viver com isso, mas precisamos sair um pouco desse mundo privado e realizar esse debate porque somos totalmente capazes de conciliar de forma satisfatória essas tarefas”, disse Rejane.

 

Assessora Especial da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Tatau Godinho fez uma retrospectiva da luta das mulheres e falou sobre autonomia social, econômica e política, além dos projetos prioritários do governo federal no mandato da presidenta Dilma Rousseff. Ela também apresentou dados que mostram a diferença salarial entre homens e mulheres, que chega a 35% em determinados cargos.

 

“Queremos dar destaque ao avanço na conquista da autonomia econômica e pessoal das mulheres. As diferenças salariais entre homens e mulheres são brutais e às vezes não enxergamos porque vêm camufladas por vários mecanismos vistos como ‘normais’. Não existirá combate à desigualdade, miséria e pobreza se não houver avanço nessas condições de romper com essas desigualdades que tiram de nós o poder, porque ao tirar as condições econômicas das mulheres e a condição de mudar sua vida, aumentamos os espaços de dominação na sociedade”, destacou Tatau.


Um dos temas que também marcaram o debate foi o fim da violência contra a mulher. Dados apresentados pela deputada federal Erika Kokay apontam a lei Maria da Penha como a terceira maior do mundo, mais completa e abrangente, no enfrentamento desse tipo de violência, mas tem estado na ordem do dia no Brasil por ser apontada como inconstitucional. “Nós precisamos fazer com que essa conquista, que é do povo brasileiro e que foi tecida com muita dor e esperança, não se perca nas concepções de sentenças do poder judiciário que são construídas com machismo. A lei Maria da Penha é realidade e precisa ser tratada como tal”, defende a deputada.

O evento foi encerrado com a apresentação da peça Terapia de Casal, do grupo teatral Amarração, composto por bancárias e bancários de Brasília.


 

Pricilla Beine
Do Seeb Brasília

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