Os trabalhadores como atores no processo eleitoral, ocupando posição de destaque e não na arquibancada na disputa desse jogo. Assim o secretário de Organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Jacy Afonso, resumiu o objetivo da Plataforma da CUT para as eleições 2010, na manhã desta terça-feira (29), durante o primeiro ciclo de debates da Conferência Regional da Fetec Centro-Norte, no Hotel Nacional.
Dirigentes da federação e representantes dos sindicatos filiados do Acre, Brasília, Dourados-MS, Mato Grosso, Roraima, Rondonópolis-MT, Rondônia e Pará-Amapá estão reunidos para debater e definir as posições Regionais que serão levadas para a 12ª Conferência Nacional dos Bancários, que aprovará a estratégia e a pauta de reivindicações da Campanha Nacional 2010, além de discutir a Plataforma da CUT para as eleições 2010.
Com princípios que englobam a valorização do trabalho e inclusão social, a distribuição de renda e o Estado de caráter público e democrático, a Plataforma da CUT é um documento que contém mais de 200 propostas elaboradas pela central em conjunto com sindicatos, federações e confederações, a ser entregue aos candidatos para as eleições de outubro. O objetivo é garantir os avanços dos últimos anos e aprofundar as conquistas.
“A questão não é se o candidato vai aceitar ou não as reivindicações, mas de propagandeá-las, fazer a disputa do debate com a sociedade”, resumiu Jacy Afonso, justificando que, diante do bloco de alianças formado para as próximas eleições, a composição do governo em 2011 será bem diferente do atual, o que força os trabalhadores a colocar os assuntos do seu interesse na agenda política. “Temos um presidente oriundo do movimento sindical e, mesmo que seja eleito um sucessor comprometido com os princípios desse governo, o próximo período não será fácil. Precisaremos de musculatura, de aliados nesse debate, de eleger deputados e senadores comprometidos com a nossa causa”, reforçou.
Segundo Jacy Afonso, o formato atual da Plataforma da CUT para as eleições 2010 é resultado de um esforço concentrado da CUT que teve início ainda no ano de 2004, quando o movimento sindical deflagrou a luta pela valorização do salário mínimo e a correção da tabela do imposto de renda. Desde então, ano após ano, o processo vem se aperfeiçoando.
“O reajuste do salário mínimo era decidido em dezembro, por ocasião da definição do Orçamento. Foi então que decidimos fazer a Marcha a Brasília, que resultou nos avanços dos últimos anos, dentro da percepção de que era preciso que os sindicatos assumissem essa questão como bandeira de luta, tal como fizemos agora com reivindicação da redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem diminuição salarial”, destacou Jacy.
Regular o Sistema Financeiro
Um dos principais pontos constantes da Plataforma lembrados por Jacy Afonso diz respeito à regulamentação do artigo 192 da Constituição, que versa sobre o Sistema Financeiro Nacional, principalmente, segundo ele, em função da crise econômica de 2008, que expôs as fragilidades de um mercado regulado pelo próprio mercado e a necessidade de controle sobre os bancos.
“Nos Estados Unidos e na Europa, foi o socorro do governo que ajudou a salvar a economia. No caso do Brasil, não fosse a atuação firme dos bancos públicos, como o Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES, na concessão de crédito, fazendo a economia continuar em funcionamento, a crise teria se espalhado ainda mais”, lembrou, acrescentando que, caso esses bancos tivessem sido privatizados, como era o objetivo do governo tucano de FHC, o país teria sofrido um retrocesso sem precedentes.
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