Imagem: TV Morena
Um caso de violência registrado em Ponta Porã (MS) acende um alerta sobre a escalada da intolerância, da violência de gênero e da transfobia no Brasil. Uma mulher trans de 29 anos foi vítima de tortura, espancamento e teve uma suástica nazista marcada no próprio corpo após ser atraída para uma emboscada. O episódio choca não apenas pela agressão física, mas pelo forte componente de ódio e desumanização.
A vítima foi chamada à residência de um casal para quem prestava serviços sob o pretexto de receber valores devidos. Ao chegar ao local, acompanhada do namorado, foi impedida de sair e passou a sofrer uma sequência de agressões. Com o celular destruído para impedir qualquer pedido de ajuda, ela foi atacada com taco de sinuca, cabo de vassoura e faca, além de sofrer ameaças de morte com a participação dos três envolvidos.
Durante o episódio, uma faca foi aquecida e utilizada para marcar o braço da vítima com uma suástica. O uso de um símbolo historicamente associado ao nazismo evidencia o caráter discriminatório da violência praticada.
Após horas de agressão, a mulher conseguiu deixar o local e buscar ajuda em um estabelecimento próximo à rodoviária. A Polícia Militar foi acionada e realizou as prisões. Os três suspeitos, o namorado da vítima e o casal, tiveram as prisões convertidas em preventivas e permanecem à disposição da Justiça.
O caso é conduzido pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã e foi registrado como tortura e lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica. A polícia segue apurando as circunstâncias e possíveis motivações do crime.
Para Edson Ivo, secretário de Combate ao Racismo e à Discriminação do Sindicato, casos como esse não podem ser naturalizados nem relativizados. “No momento em que um crime de ódio tão cruel acontece e os autores confessam com a certeza de uma punição branda, é obrigação de toda organização civil antifascista denunciar e expor. É preciso reforçar para toda a sociedade que esse tipo de comportamento deve ter punição rígida, como forma de enfrentar e superar essa lógica. Se você presenciar, denuncie. Se ouvir falar, denuncie. Se souber de uma história antiga, denuncie.”
Casos como esse reforçam a necessidade de enfrentamento à violência de gênero e à transfobia. A gravidade do ocorrido evidencia a importância de responsabilização dos envolvidos e do fortalecimento de políticas públicas que garantam proteção, dignidade e o direito à vida da população LGBTQIA+.
Denúncias de violações de direitos humanos podem ser feitas de forma gratuita e anônima por meio do Disque 100. O Sindicato também mantém um canal por meio do qual as bancárias e os bancários vítimas de quaisquer tipos de discriminação podem fazer suas denúncias.
Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato
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