A defesa dos bancos públicos, a luta pela redução da taxa de juros e a necessidade de ampliar a participação popular na vida política do país foram os principais pontos da entrevista concedida por Rodrigo Brito, presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte, ao programa TV Bancários, apresentado por Paulo Miranda.
Ao avaliar o início de 2026, Rodrigo destacou que o movimento sindical segue em ritmo intenso, diante das reestruturações em curso no sistema financeiro e dos riscos permanentes aos direitos dos trabalhadores. Segundo ele, o cenário exige organização contínua e atuação firme das entidades representativas para proteger empregos, direitos e o papel social dos bancos públicos.
Um dos temas centrais da entrevista foi a situação do Banco de Brasília (BRB). Rodrigo ressaltou que o Sindicato dos Bancários de Brasília atua de forma responsável e vigilante na defesa do banco público, cobrando transparência e medidas que garantam sua sustentabilidade. “O BRB é patrimônio do povo do Distrito Federal. A defesa do banco passa pela defesa dos empregos e do interesse público”, afirmou. Ele lembrou que o sindicato levou denúncias e preocupações aos órgãos competentes, alertando para riscos decorrentes de decisões que fragilizaram a instituição.
A redução da taxa de juros também foi apontada como uma das principais bandeiras do movimento sindical. Rodrigo destacou que os juros elevados penalizam a população, dificultam o acesso ao crédito, travam o crescimento econômico e aprofundam as desigualdades. “A redução dos juros beneficia o conjunto da sociedade. Quem ganha com juros altos é uma minoria que vive do rentismo”, afirmou, criticando a postura do Banco Central, que, segundo ele, muitas vezes prioriza os interesses do mercado financeiro em detrimento das necessidades do povo brasileiro.
No campo político, Rodrigo chamou atenção para a importância de fortalecer a democracia e eleger representantes comprometidos com a classe trabalhadora. Ele destacou o projeto de lei apresentado pela deputada federal Erika Kokay, que trata da retomada dos acordos e convenções coletivas, garantindo que direitos não sejam retirados automaticamente ao fim da vigência dos instrumentos negociados. “Esse projeto é fundamental para proteger conquistas históricas dos trabalhadores”, ressaltou.
A entrevista também abordou pautas que dialogam diretamente com a vida da população, como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Rodrigo defendeu que a diminuição da jornada gera empregos, melhora a qualidade de vida e fortalece a economia, contrariando o discurso de setores conservadores. Ele destacou que essas medidas fazem parte de um debate mais amplo, impulsionado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre desenvolvimento com justiça social.
Ao final, Rodrigo reforçou a importância da participação da categoria nas eleições sindicais e nas eleições gerais de 2026. Para ele, a mobilização dos trabalhadores é decisiva para enfrentar os desafios do período, barrar retrocessos e avançar na construção de um país mais justo, com direitos, empregos e bancos públicos fortes a serviço da população.
A entrevista deixa um recado claro: em um setor marcado por reestruturações constantes, pressão por metas, ataques a direitos e influência política sobre bancos públicos, não existe “piloto automático” para a defesa da categoria. A proteção real vem de organização, participação e enfrentamento direto, com sindicato forte e base ocupando as instâncias de decisão.
Victor Queiroz
Com colaboração para o Sindicato
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