Informações publicadas pela coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, apontam mais um capítulo da crise de governança no Banco de Brasília (BRB). Segundo a publicação, o presidente do banco teria solicitado ao então presidente do Conselho de Administração (Consad), Marcelo Talarico, que antecipasse sua saída do colegiado, embora o mandato vá até 2026. O pedido teria sido recusado.
O episódio é grave não apenas pelo gesto em si, mas pelo que ele expõe: quando uma instituição pública atravessa uma crise que envolve decisões de alto impacto e forte desgaste reputacional, a governança deveria funcionar como instância de contenção, transparência e proteção do interesse público. Se o próprio comando do banco sinaliza necessidade de mudança e o Consad se mantém inalterado, a mensagem que fica é de resistência política, não de responsabilidade institucional.
É nesse contexto que o caso Banco Master continua sendo a referência inevitável. A operação foi autorizada pelo Conselho de Administração e se tornou um símbolo do que dá errado quando decisões estratégicas avançam apesar de alertas, controvérsias e questionamentos externos. Mesmo sem antecipar culpa ou punição, a manutenção das mesmas estruturas decisórias, sem qualquer medida de afastamento cautelar ou revisão ampla, enfraquece a credibilidade de qualquer discurso posterior sobre “governança”, “compliance” e “gestão de riscos”.
Para agravar o cenário, também foi divulgado que o Governo do Distrito Federal decidiu substituir Talarico e que a indicação é o atual presidente da CEB, Edson Garcia, personagem associado ao processo de privatização da companhia, tema que acumula críticas e insatisfação no DF. A troca tende a aprofundar a percepção de que o BRB não está corrigindo rumos, mas apenas substituindo nomes dentro da mesma lógica de indicação e proteção política, com o agravante de colocar um privatista na presidência do Conselho de Administração do BRB. Além de ter atuado pela privatização de uma empresa pública, há forte suspeita de que os problemas na CEB IPES, da qual é presidente, façam parte de uma estratégia de fragilização da imagem da empresa perante o povo de Brasília, para, posteriormente, viabilizar também sua privatização.
Celina Leão e Ibaneis Rocha têm grande responsabilidade nessa crise que toma conta do noticiário local e nacional e, ao indicarem um privatista ao Consad do banco, demonstram aos trabalhadores do BRB e ao povo de Brasília a falta de compromisso com o patrimônio da população.
Diante disso, o Sindicato dos Bancários de Brasília seguirá cobrando providências efetivas: uma renovação total do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e do Comitê de Auditoria, com nomes que realmente possam fortalecer o banco público, além de atitudes concretas do Governo do Distrito Federal para a defesa da empresa pública, que é do povo de Brasília. A indicação de Edson Garcia é desastrosa no cenário atual e só aumenta a descredibilidade do governo de Celina Leão e Ibaneis Rocha. Governança é dever com o patrimônio público e com a população do Distrito Federal, e é isso que precisa voltar a orientar o GDF.
Victor Queiroz
Com colaboração para o Sindicato
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