
Bancários são representados no seminário 'Vigilância em Saúde do Trabalhador'
Ações voltadas para a saúde da categoria são destaque da atuação do Sindicato, que participou na segunda-feira (25) do seminário 'Vigilância em Saúde do Trabalhador', que ocorreu no auditório externo da Fiocruz e debateu 'Temas emergentes na saúde do trabalhador'.
Durante a abertura do evento, promovido pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do DF (Cerest-DF) em parceria com a Diretoria Regional de Brasilia da Fiocruz, foi ressaltado o alto índice de trabalhadores afastados e aposentados por doenças relacionadas ao trabalho, um milhão em 2012, de acordo com dados divulgados pelo INSS. Essas informações consideram somente o emprego formal. As maiores incidências são por doenças cardiovasculares, lesões por esforço repetitivo e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/Dort) e transtornos psíquicos.
“Parece que o adoecimento dos nossos trabalhadores está invisível na sociedade. Precisamos de políticas de prevenção efetivas para cessar com casos de tantas pessoas afastadas e aposentadas por questões relacionadas ao trabalho. Nesse contexto, o seminário se faz necessário para discussão e sugestão de pauta de ações nos locais de trabalho que objetivam a prevenção da saúde dos trabalhadores”, frisou o representante do Ministério da Saúde, Roque Veiga.
Os trabalhadores do ramo financeiro estão inseridos no grupo que tem sofrido com o adoecimento no emprego. O secretário de Saúde do Sindicato, Wadson Boaventura, que também é membro da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador do Distrito Federal (Cist-DF), participou do seminário e lembrou do processo de reestruturação drástico no ramo financeiro na década de 1990, quando havia uma média de 1 milhão de bancários no Brasil e que chegaram a ser reduzidos a 450 mil. 
Secretário de Saúde do Sindicato, Wadson Boaventura debate questões do ramo finanaceiro em seminário
“Sabemos que os bancários também sofrem com problemas de saúde relacionados ao trabalho devido a inúmeros fatores como: excesso de trabalho, assédio moral, pressão para cumprimento de metas, entre outros. Entendemos que devemos contribuir para o debate para a criação de políticas que realmente diagnostiquem as zonas de perigo de doenças, assim poderemos trançar políticas efetivas de prevenção, bem como o tratamento adequado dos que já estão adoecidos”, afirma Wadson.
Subnotificação é um problema
O painel 'Compartilhando Informações de Saúde do Trabalhador' mostrou dados do mestrado de Manoela Costa com o auxílio do gerente da área de Análise de Situação em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Luiz Belino. A dupla verificou que um dos maiores problemas em relação às doenças que acometem o trabalhador são as subnotificações. Vários trabalhadores adoecidos não são tabulados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. A situação dificulta o diagnóstico dos problemas mais críticos e impede a ação precisa de atividades de prevenção.
“A notificação deve ser utilizada como um alerta no local onde ocorre o problema para se fazer a vigilância. É importante observar se os problemas são recorrentes numa mesma empresa para fazer a prevenção. Até mesmo o ‘silêncio’ da notificação em determinada região pode ser um indício de que pode estar ocorrendo a subnotificação”, comenta Luiz Belino.
O Sinan passa por reformulação desde setembro para melhorar as especificações dos agravos para melhor análise do Ministério da Saúde.
Políticas de prevenção mais efetivas
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na Norma Regulamentadora nº 7 do Ministério do Trabalho e Emprego, também foi discutido no Seminário. O objetivo do programa é a promoção e preservação da saúde do conjunto dos trabalhadores.
O programa deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Também visa a constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. Na prática, o programa não é executado de maneira tão eficaz, como no caso dos bancos.
“Cobramos uma atuação mais efetiva do INSS e do Ministério do Trabalho em relação ao PCMSO para políticas de prevenção da saúde dos trabalhadores. O programa ainda não é executado da maneira adequada e os bancários são prejudicados”, completa Wadson Boaventura.
Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília
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