O Sindicato levou à Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, do Congresso Nacional, nesta segunda-feira (6), um alerta contundente sobre a situação do BRB, destacando que o cenário enfrentado não se trata de uma crise de mercado, mas de um caso grave com indícios de crimes financeiros e impactos diretos sobre trabalhadores e a população do Distrito Federal.
Durante a reunião, o diretor do Sindicato Ronaldo Lustosa apresentou às lideranças nacionais do serviço público um panorama da situação e solicitou apoio institucional para a defesa do banco público, dos empregos e da estabilidade da instituição.
“A situação do BRB não é de mercado. Estamos vivendo um cenário de maior crime financeiro da história do Brasil, um caso que pode ficar marcado mundialmente pelo nível de organização para dilapidar o patrimônio público.”
O dirigente também alertou para a tentativa de construção de uma narrativa favorável à privatização do banco. “Existe uma narrativa sendo construída para empurrar a privatização do BRB. Solução de mercado, a gente sabe, significa privatização.”
Ronaldo reforçou ainda que os trabalhadores não podem ser responsabilizados por erros de gestão. “O trabalhador não tem culpa. Não pode pagar essa conta.”
Unidade do serviço público e defesa coletiva
A coordenação da Frente Parlamentar reforçou a importância da atuação conjunta das entidades e da solidariedade entre as categorias diante do cenário apresentado.
A coordenadora da Frente, Patrícia Coimbra, destacou o papel central da organização coletiva. “Sem as entidades atuando, a frente não existiria. O problema de um é o problema de todos. Ninguém solta a mão de ninguém.”
Ela também ressaltou a trajetória de mobilização das entidades em defesa de um serviço público de qualidade. “Seguimos perseverantes, lutando por um serviço público de qualidade. É isso que nos une e nos mobiliza.”
Sindicato como fonte de informação e proteção aos trabalhadores
Durante a reunião, o professor Vladimir Nepomuceno enfatizou a necessidade de que as informações sobre o caso do BRB sejam centralizadas e difundidas pelo Sindicato, como forma de qualificar o debate público e proteger os trabalhadores.
“Uma coisa é receber notícia pela imprensa. Outra é receber a partir do sindicato. A melhor fonte é o sindicato dos bancários do DF.”
Vladimir também chamou atenção para a situação dos trabalhadores que vêm sendo chamados a depor como testemunhas em investigações, alertando para possíveis impactos no ambiente de trabalho.
“Esses servidores vão como testemunhas, falam a verdade. E depois? Como fica a relação com a direção? É preciso garantir proteção e acompanhamento.”
Além disso, destacou que os efeitos da crise ultrapassam o Distrito Federal, atingindo inclusive servidores públicos de outros estados que recebem seus salários pelo BRB, o que amplia a dimensão nacional do problema.
Articulação política e mobilização
Como encaminhamento, o dirigente do Sindicato Ronaldo Lustosa defendeu a ampliação da articulação nacional, solicitando o apoio das entidades do serviço público na construção de um diálogo qualificado junto ao Congresso Nacional e ao governo federal. A estratégia inclui a interlocução direta com parlamentares, lideranças políticas e ministérios, com o objetivo de assegurar que a gravidade do caso seja plenamente compreendida nas instâncias decisórias do país.
Nesse sentido, o dirigente ressaltou a necessidade de elevar o debate ao mais alto nível institucional, como forma de garantir respostas à altura do impacto social e econômico da situação. “Queremos dialogar com todas as lideranças e, se possível, com o próprio presidente da República, para apresentar a gravidade dessa situação na visão dos trabalhadores.”
A entidade também confirmou participação na mobilização nacional Marcha da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15, em Brasília, reforçando a necessidade de unidade neste momento.
A avaliação é de que o cenário exige vigilância, articulação política e mobilização social para impedir retrocessos, garantir a responsabilização de todos os envolvidos e preservar o BRB como banco público, estratégico e essencial para o desenvolvimento do Distrito Federal.
Da Redação
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