O Sindicato realizou um protesto na agência do Banco do Brasil no SIA para denunciar a redução da rede de atendimento e cobrar da direção da instituição responsabilidade com sua função pública e social. A mobilização chamou atenção para a desativação de caixas, o fechamento de postos de trabalho e a falta de estrutura e de empregados nas unidades.
Presidente do Sindicato e da Fetec-CUT/CN, Rodrigo Britto afirmou que as decisões adotadas pela direção do BB atingem ao mesmo tempo os funcionários e a população. Com menos unidades, equipes reduzidas e problemas recorrentes de funcionamento, aumenta a sobrecarga dos trabalhadores e diminui a capacidade de oferecer atendimento presencial de qualidade.
“É um absurdo desmontar as agências de varejo, impedir o atendimento humanizado, acabar com caixas e postos de trabalho bancário e, ao mesmo tempo, ampliar os correspondentes bancários, com trabalhadores que não são bancários realizando atividades-fim da categoria”, criticou.
A ampliação dos correspondentes não resolve as dificuldades enfrentadas pela população. Esses estabelecimentos não oferecem a mesma estrutura e capacidade de atendimento de uma agência e acabam assumindo serviços próprios da atividade bancária, enquanto postos de trabalho são reduzidos dentro do Banco do Brasil.
Atendimento precário afasta clientes
Durante a ação, um cliente abordou os dirigentes sindicais e relatou que havia procurado atendimento no Guará, no Núcleo Bandeirante, no Sudoeste, em Águas Claras e no SIA sem conseguir concluir uma operação de depósito. Segundo ele, havia encontrado agências sem sistema, equipamentos fora de funcionamento e caixas desativados.
O relato reforça uma situação denunciada pela categoria: quando uma unidade deixa de funcionar adequadamente, a demanda se desloca para outras agências, aumenta a sobrecarga dos empregados e obriga clientes a percorrer diferentes regiões em busca de atendimento.
A precarização atinge principalmente a população mais vulnerável, que depende das agências e encontra mais dificuldades no acesso aos canais digitais. Os efeitos, porém, alcançam diferentes perfis de clientes e podem resultar na saída de correntistas para instituições privadas.
O dirigente do Sindicato Rafael Saldanha afirmou que esse processo também exige uma reflexão sobre os interesses envolvidos no enfraquecimento da rede e no desgaste da imagem do Banco do Brasil.
“Precisamos questionar a quem interessa o sucateamento da rede de atendimento e o desgaste da imagem do Banco do Brasil. Temos ouvido relatos de clientes de diferentes perfis que estão insatisfeitos e procuram instituições privadas porque não encontram no BB o atendimento de que precisam. Esse processo enfraquece o banco público e favorece seus concorrentes”, alertou.
Função pública exige presença
A expansão dos serviços digitais não elimina a necessidade de agências com estrutura adequada, empregados suficientes e condições para atender quem precisa recorrer ao serviço presencial. Um Banco do Brasil comprometido com o desenvolvimento nacional precisa estar presente nos territórios e garantir acesso aos seus serviços.
Rodrigo cobrou uma mudança de orientação da direção da instituição. “O Conselho Diretor precisa respeitar os clientes e usuários, que são os verdadeiros donos do Banco do Brasil, e também os funcionários, que precisam ser valorizados e ter condições decentes para atender a população.”
A defesa da função pública do banco passa pela manutenção de uma rede capaz de atender a população, pela recuperação das condições de funcionamento das agências e pela contratação de mais empregados.
“Em defesa de um atendimento humanizado, de agências com condições de atender e de mais empregados no Banco do Brasil, vamos continuar a nossa luta”, concluiu Rodrigo.
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