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25 de Fevereiro de 2026 às 11:21

Redução de jornada: a manipulação sempre foi usada contra os trabalhadores

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Historicamente, a classe trabalhadora tem alcançado inúmeras conquistas em relação à jornada e às condições de trabalho, graças à sua luta, organização e mobilização, mesmo enfrentando campanhas, duros e permanentes ataques do patronato, que se utiliza de todos os meios para manter seus privilégios e riquezas. A ação dos poderosos contra a jornada 6x1 é parte dessa disputa entre o trabalho e o capital, um enfrentamento ocorrido por séculos: a luta de classes.

A publicação do artigo 'Brasileiro trabalha menos que a média mundial', assinado por Rafael Cariello, na Folha de São Paulo em 21 de fevereiro, mantém a tradição de usar a manipulação para tentar enganar e dividir a classe trabalhadora. O texto inicia afirmando que “em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado” (sic). Título e texto encomendados escondem a dedicação e o trabalho desempenhados pelo povo brasileiro, comprovando, mais uma vez, que se repete o velho discurso manipulador para negar a importância da classe trabalhadora em fazer do Brasil um dos países mais ricos do planeta.

A mesma matéria apresenta um gráfico sobre a jornada de trabalho em que coloca o Brasil na 38ª posição entre os 160 países analisados. Segundo a Folha, enquanto a média trabalhada, em horas por semana, nos EUA é de 38,6 h, na França é de 31 h, na Noruega de 27,8 h e na Holanda de 27,6 h, a média no Brasil é de 40,1 h. Na outra ponta do gráfico, a matéria mostra que a média semanal trabalhada no Sudão é de 50,8 h, nos Emirados Árabes é de 49,4 h e na Jamaica é de 43,4 h. E “o brasileiro não trabalha muito”: a velha manipulação dos fatos para servir aos patrões e donos do capital.

A FSP atua da mesma forma que sempre fizeram os veículos de comunicação a serviço da manutenção da exploração da classe trabalhadora e das injustiças nas relações entre trabalhadores e proprietários. Não se pode esquecer que, em 1888, foi feita uma grande campanha afirmando que o fim do trabalho escravo quebraria a economia brasileira. O mesmo foi repetido em 1962, quando os trabalhadores conquistaram o 13º salário.

É preciso lembrar a história

Nas primeiras décadas após a colonização portuguesa, entre 1500 e 1530, os indígenas foram os primeiros escravizados, substituídos pelos africanos, sequestrados e escravizados, feitos “os pés e mãos dos senhores” por três séculos. Eram considerados instrumentos humanos indispensáveis para o funcionamento do engenho e a manutenção da Casa Grande, mas foram abandonados, sem nenhum direito de nenhuma natureza, após 13 de maio de 1888, mesmo tendo sido o trabalho escravo o responsável pelo setor da economia brasileira que mais lucrou ao longo desses séculos, conforme mostra o livro 'O negro no Brasil' (José Júlio Chiavenatto).

Com o aparecimento, no final do século XIX, das primeiras indústrias, a classe operária trabalhava sem nenhuma regulamentação, em jornadas diárias superiores a 12 h de trabalho. Em 1917, foi realizada uma grande greve geral no Brasil, organizada pela Confederação Operária Brasileira (COB), que mobilizou trabalhadores em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A pauta era o aumento salarial, a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, a proibição do trabalho infantil e do trabalho feminino à noite, a pontualidade no pagamento dos salários, o direito de sindicalização, a libertação dos trabalhadores presos durante a greve e a recontratação de todos os grevistas demitidos. A greve impulsionou a criação de sindicatos, elevou a consciência de classe e conquistou melhorias nas condições de trabalho.

A partir da década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, começou a regulamentação dos direitos da classe trabalhadora, como a instituição da jornada de 8 horas no comércio e na indústria. Foi um período de fortalecimento das lutas sindicais, com permanentes mobilizações dos trabalhadores. Em 1943, foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que normatizou os direitos trabalhistas, garantiu o descanso semanal remunerado e limitou as horas extras, entre outras conquistas.

No período entre 1945 e 1964, a organização sindical de operários e camponeses se fortaleceu; houve crescimento da atividade industrial e, com isso, crescimento da economia nacional. A partir de 1956, Juscelino Kubitschek abriu o mercado brasileiro para o capital internacional, iniciando-se uma fase de desarticulação da indústria nacional.

Em 26 de abril de 1962, o jornal O Globo publicou na capa a manchete 'Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário', atacando a luta dos trabalhadores, que arrancaram, com passeatas, greves e enfrentando a repressão policial, o 13º salário, sancionado em 13 de julho desse ano pelo presidente João Goulart.

Com o golpe civil-militar, em 1º de abril de 1964, uma das primeiras ações do novo governo foi intervir nos sindicatos, reprimir e prender suas lideranças. Somente em 1968 os trabalhadores voltaram às ruas, com a realização das greves dos metalúrgicos em Contagem (MG) e Osasco (SP) contra o arrocho salarial e a repressão da ditadura, obtendo conquistas salariais parciais.

Somente dez anos depois, os metalúrgicos do ABCD, liderados por Lula, retomaram a luta com a realização da greve na fábrica da Scania, que rapidamente cresceu, paralisando a Ford, a Mercedes-Benz e a Volkswagen. A ditadura aplicou a Lei de Segurança Nacional, interveio na direção do Sindicato dos Metalúrgicos e prendeu suas principais lideranças. A luta sindical se fortaleceu e teve papel fundamental na redemocratização do país, que levou à Assembleia Constituinte, eleita em 1986, e à Constituição promulgada em 3 de outubro de 1988.

Durante o processo constituinte, aconteceram grandes mobilizações dos trabalhadores, que enfrentaram o lobby dos empresários e latifundiários. A jornada de trabalho foi reduzida para 44 horas semanais, sendo garantido o direito de greve e o direito de organização sindical para servidores públicos, entre outras conquistas obtidas.

Com o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016, uma das ações impostas pelo golpista Michel Temer foi aprovar, no Congresso Nacional, a reforma trabalhista, em 2017, a qual atacou profundamente os direitos dos trabalhadores conquistados ao longo da história, especialmente ao buscar enfraquecer os sindicatos e centrais sindicais. Uma onda neoliberal que se utiliza dos meios de comunicação tradicionais e digitais para desinformar, alienar e difundir mentiras.

Os ataques aos trabalhadores seguem contra o fim da jornada 6 x 1

Repetindo a história, novamente os representantes do grande capital, agora liderados pela extrema direita neoliberal e fascista, atacam as lutas da classe trabalhadora pela redução da jornada de trabalho.

Os grandes veículos de comunicação dizem que o fim da jornada 6 x 1 trará prejuízos para o Brasil e que o povo pagará a conta; mentem mais uma vez, como sempre fizeram.

Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda, respectivamente presidentes do PL e do União Brasil, declararam a empresários, em uma reunião em São Paulo, na noite de segunda-feira (23) que atuarão no Congresso Nacional para derrotar o fim da jornada 6 x 1. Defenderam, na reunião, a pressão dos empresários dentro do parlamento para impedir a redução da jornada. Foram aplaudidos pelos magnatas.

Por outro lado, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em uma reunião na FIESP no mesmo dia, disse, em nome do Governo Federal, que “há uma tendência mundial, você ter uma redução. E isso já vem acontecendo. Esse é um debate que não deve fazer correria. Porque você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas é uma tendência”.

Com o desenvolvimento tecnológico, especialmente da Inteligência Artificial, segundo pesquisas públicas divulgadas, as grandes empresas têm aumentado suas receitas em até 60% e o lucro em até 40%. Ou seja, se a tecnologia aumenta a produtividade, com a produção de mais mercadorias em menos tempo, permitindo mais lucratividade para os capitalistas, o caminho é a redução da jornada de trabalho, dar melhores condições de trabalho e buscar uma melhor distribuição de renda.

Diferentemente do que diz a FSP em seus textos a serviço da mentira, a classe trabalhadora brasileira trabalha muito, produz muito e recebe baixos salários, trabalhando jornadas excessivas.

A jornada de 40 horas para os trabalhadores brasileiros é uma necessidade histórica e política, rumo à conquista de 36 horas semanais. Essa deve ser uma luta de todo o povo brasileiro, que não pode se deixar enganar pelas mentiras difundidas pelos meios de comunicação a serviço dos mais ricos.

Bancários defendem uma jornada de 4 x 3

A categoria bancária tem defendido uma jornada de trabalho de 4 dias por semana (4 x 3), sem redução de salário. Essa reivindicação faz parte da pauta da categoria desde 2024. Essa conquista possibilitará a criação de mais de 100 mil novas vagas no setor.

Essa pauta já foi entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e fará parte das bandeiras defendidas para a renovação do Contrato Coletivo de Trabalho.

A jornada atual da categoria é de 30 horas semanais (6 horas por dia), conquistada em 1933, no Estado de São Paulo, e garantida pela legislação atual. Os banqueiros tentam, de todas as formas, criar artifícios para burlar esse direito, e grandes batalhas têm se dado nos tribunais como forma de resistir e confirmar esse direito.

A mobilização da categoria agora é em defesa da jornada 4 x 3, sem redução de salário.

Pedro César Batista
Colaboração para o Sindicato

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