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23 de Janeiro de 2026 às 14:59

Redução da jornada pode aumentar produtividade e garantir dignidade aos trabalhadores, afirma Boulos

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O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro da agenda nacional e ganhou novo fôlego a partir de declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que defendeu a redução da jornada de trabalho como medida capaz de ampliar a produtividade, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e fortalecer a economia brasileira.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Boulos afirmou que jornadas exaustivas comprometem o desempenho profissional e aprofundam desigualdades, especialmente para as mulheres, que acumulam trabalho remunerado e tarefas de cuidado. Segundo ele, trabalhadores mais descansados tendem a produzir melhor, argumento sustentado por dados e experiências já em curso no Brasil e no exterior.

De acordo com o ministro, estudo da Fundação Getulio Vargas, realizado em 2024 com empresas que reduziram a jornada de trabalho, indicou aumento de receita em mais de 70% dos casos analisados, além de melhoria no cumprimento de prazos. “Essas mudanças estão acontecendo mesmo sem alteração na legislação”, destacou.

A experiência internacional também foi citada como referência. Boulos mencionou a adoção da escala 4×3 pela Microsoft no Japão, que resultou em crescimento significativo da produtividade individual, além de experiências na Islândia, onde a redução da jornada para 35 horas semanais foi acompanhada de crescimento econômico e ganho de produtividade. Nos Estados Unidos, lembrou, a redução gradual da jornada média diária também esteve associada a aumento da eficiência do trabalho.

Para o Sindicato dos Bancários de Brasília, as declarações reforçam uma pauta histórica do movimento sindical: a defesa de jornadas mais humanas como elemento central para a saúde, a dignidade e a produtividade dos trabalhadores. O Sindicato avalia que a baixa produtividade frequentemente apontada por setores empresariais não pode ser atribuída aos trabalhadores, mas à falta de investimento em inovação, tecnologia e qualificação profissional.

Nesse sentido, Boulos destacou que grande parte do investimento em pesquisa e inovação no Brasil ainda é realizada pelo setor público, enquanto o setor privado investe menos do que empresas de países em patamar semelhante de desenvolvimento. “Se a produtividade é baixa e não há tempo para qualificação, como ela vai aumentar?”, questionou.

A proposta em debate no governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, com adoção de regimes de até cinco dias de trabalho por dois de descanso, além de um período de transição e mecanismos de adaptação para micro e pequenas empresas. O ministro afirmou que há diálogo em andamento com o Congresso para que o tema avance ainda neste semestre.

Para o Sindicato, o debate sobre o fim da escala 6×1 está diretamente ligado à defesa da saúde, do emprego e de condições dignas de trabalho, e deve ser tratado como uma política estruturante para o desenvolvimento do país, e não como custo a ser combatido.

Da Redação

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