O Sindicato realiza no próximo dia 15 o seminário “Quem cuida de quem cuida?”, que marcará o lançamento de uma pesquisa voltada à realidade das mulheres bancárias que acumulam trabalho remunerado e responsabilidades de cuidado não remunerado.
A atividade, que será realizada na sede do Sindicato (EQS 314/315 - Asa Sul), às 19h, vai debater a centralidade do cuidado na vida das mulheres trabalhadoras e os impactos da sobrecarga sobre saúde, renda, carreira e qualidade de vida. O seminário contará com a apresentação da pesquisa da socióloga Cosette Castro, pesquisadora com experiência em estudos para o IPEA, Instituto Lula, EBC/BID, IBICT e CEPAL/UNESCO, e terá como convidadas uma representante do Ministério das Mulheres; a deputada federal Erika Kokay (PT-DF); e Amanda Corsino, secretária de Mulheres da CUT Nacional.
A iniciativa dialoga diretamente com a Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 15.069/2024, e com a construção do Plano Nacional de Cuidados, do governo federal, que reconhecem o cuidado como um trabalho essencial à sustentação da vida e da economia, historicamente invisibilizado e exercido majoritariamente por mulheres.
Desigualdade estrutural
Para a secretária de Mulheres do Sindicato, Zezé Furtado, o debate é urgente porque expõe uma desigualdade estrutural que atravessa o cotidiano das bancárias. “Quando falamos de cuidado, estamos falando de trabalho. Um trabalho que sustenta famílias, comunidades e a própria sociedade, mas que quase sempre recai sobre as mulheres de forma silenciosa e desigual. As bancárias vivem diariamente a pressão das metas, da jornada intensa nos bancos e, ao mesmo tempo, seguem responsáveis pelo cuidado com filhos, pessoas idosas, pessoas doentes e pela organização da vida doméstica. Precisamos romper com a naturalização dessa sobrecarga”, afirma.
Segundo Zezé, a pesquisa surge como instrumento de escuta e formulação política, permitindo que o Sindicato aprofunde a compreensão sobre as múltiplas jornadas enfrentadas pelas trabalhadoras do ramo financeiro. “Dar visibilidade ao trabalho de cuidado é também reconhecer direitos. Nosso objetivo foi ouvir as bancárias para compreender as consequências da sobrecarga física e mental e o adoecimento das mulheres bancárias, para fortalecer a luta pela implantação do Plano Nacional de Cuidados, que inclui melhores condições de trabalho e a divisão mais justa das responsabilidades de cuidado”, destaca a dirigente.
A atividade será encerrada com um coquetel de confraternização, de modo a proporcionar também um espaço de acolhimento, troca de experiências e fortalecimento da convivência entre as participantes.
Da Redação
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