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31 de Agosto de 2026 às 11:57

Proposta da Fenaban prevê INPC mais 0,6% e será submetida à assembleia

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Depois de 13 rodadas de negociação, marcadas pela rejeição de oito propostas que impunham perdas e retrocessos à categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou uma proposta global para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que prevê a reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de aumento real de 0,6%, em 2026 e 2027.

O mesmo índice será aplicado aos salários e às demais verbas econômicas, incluindo vales alimentação e refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice total de reajuste de 2026 somente poderá ser calculado após a divulgação do INPC referente à data-base de 1º de setembro, prevista para 11 de setembro.

A proposta agora será submetida à assembleia da categoria, em votação que será realizada virtualmente das 19h de quinta-feira (3) às 19h de sexta-feira (4), e será antecedida por uma plenária de esclarecimentos e debate que ocorrerá de forma híbrida, às 18h, sendo presencial no Setor Bancário Sul, entre o Edifício Sede III do BB e a Filial da Caixa.

O processo negocial foi duro e exigiu resistência do Comando Nacional e mobilização da categoria em todo o país. A última rodada começou na tarde de sexta-feira (28), atravessou a madrugada e terminou somente na noite de sábado (29), após cerca de 32 horas de discussão.

Nas primeiras rodadas, a Fenaban insistiu em índices abaixo da inflação, que chegaram a representar perda real de 1,99% nos salários e nas demais verbas. Os bancos também tentaram congelar o piso de ingresso e a PLR, reduzir o vale-alimentação, estabelecer reajustes diferenciados por faixas salariais e alterar a gratificação da função de caixa. As medidas abririam caminho para o arrocho salarial, a diferenciação entre trabalhadores e a retirada de direitos.

O Comando Nacional rejeitou as propostas e manteve a cobrança por reposição integral da inflação, aumento real e preservação de todos os direitos. Ao fim das negociações, a Fenaban retirou os reajustes diferenciados, os congelamentos e as alterações que atingiam direitos da categoria.

Unidade nacional impediu divisão da categoria

A defesa da mesa única de negociação foi outro ponto central das discussões. A Fenaban tentou fragmentar o processo e estabelecer tratamentos diferentes entre os trabalhadores.

Adotada desde 2004, a mesa única reúne bancários de instituições públicas e privadas na negociação dos direitos nacionais da categoria. Esse modelo impede que os bancos dividam os trabalhadores por instituição, região ou faixa salarial e fortalece a luta por uma Convenção Coletiva válida em todo o país.

A resistência do Comando Nacional manteve a mesa única e preservou integralmente a atual CCT. De acordo com levantamento da representação dos trabalhadores, aproximadamente 85% das cláusulas da Convenção asseguram direitos superiores aos previstos em lei ou que sequer possuem garantia legal.

Com isso, foram barradas as tentativas de fragmentar a categoria e reduzir direitos construídos ao longo de décadas de organização e luta.

Avanços nas cláusulas sociais

Além de impedir a retirada de direitos, a negociação resultou na inclusão de medidas relacionadas à saúde mental, ao combate ao assédio, ao monitoramento digital e ao direito à desconexão.

Na área de saúde mental, a proposta assegura a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A medida amplia a participação da representação dos trabalhadores no acompanhamento das ações dos bancos para identificar e combater fatores de risco associados ao adoecimento mental.

O canal de combate ao assédio moral e sexual, conquistado na Campanha Nacional de 2024, também passará a receber denúncias de atos praticados por clientes contra funcionários.

Em relação ao monitoramento digital, foram negociadas regras de transparência e limites para o uso de ferramentas de vigilância no ambiente de trabalho, além do direito dos bancários de receber informações sobre os dados coletados. O objetivo é impedir que essas tecnologias sejam utilizadas sem critérios ou em prejuízo dos trabalhadores.

A proposta também inclui o direito à desconexão, para proteger o período de descanso e impedir que os bancários sejam obrigados a responder mensagens de gestores ou atender clientes fora da jornada de trabalho.

Na proposta global, a Fenaban ainda prevê o abono do dia da paralisação de 20 de agosto para as bases que aprovarem o acordo nas assembleias.

Proteção diante do fechamento de agências

Também foram negociadas medidas para os bancários demitidos em decorrência do fechamento de agências, incluindo indenização, qualificação e apoio à recolocação profissional.

Os trabalhadores abrangidos terão acesso a atendimento individualizado, cursos de qualificação e inclusão em um banco de talentos. O programa será desenvolvido pela consultoria Gi Group, responsável por conectar os participantes a empresas de acordo com suas competências profissionais.

As medidas buscam ampliar a proteção aos trabalhadores diante da redução acelerada da rede física dos bancos. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas aproximadamente 9,5 mil agências no país. Somente no primeiro semestre de 2026, os maiores bancos encerraram 669 unidades.

Da Redação com informações da Contraf-CUT

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