O Sindicato manifesta extrema preocupação com o suposto envolvimento de instituições financeiras ligadas ao Banco Master, diante dos recentes desdobramentos da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
A megaoperação investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Entre os alvos estão a Genial Investimentos e a Reag Investimentos, gestora do fundo Borneo, um dos quatro fundos (ao lado de Deneb, Celeno e Verbier) que adquiriram participação relevante no BRB antes da formalização da transação com o Master.
Segundo as autoridades, os investigados são acusados de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
Para o Sindicato, esses indícios exigem uma postura firme do Banco Central: suspender imediatamente a operação de compra e avaliar intervenção no Banco Master, que pode estar trazendo para dentro do BRB ativos contaminados por suspeitas criminais.
Além da gravidade das suspeitas criminais, estudos do Dieese já apontavam que os principais argumentos usados pelo presidente do BRB, Paulo Henrique, para justificar a compra do Banco Master não se sustentam. Do ponto de vista legal, embora a operação tenha sido recentemente aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, persistem dúvidas sobre a conformidade com as leis que regem as atividades das empresas estatais e a transparência do processo, que expõem o banco e seus trabalhadores a riscos desnecessários.
Também não se confirma a promessa de expansão da rede de atendimento: o Master tem apenas um número ligeiramente superior de correspondentes bancários e praticamente não possui presença no DF, além de que o modelo de correspondentes está historicamente vinculado à substituição de empregos formais.
No quesito qualidade, os indicadores do Banco Central revelam que o Master tem um índice de reclamações bem mais elevado que o BRB, desmentindo o discurso de que agregaria eficiência e melhoraria o atendimento. O produto apontado como carro-chefe da integração, o cartão consignado Credcesta, representa uma fração mínima da carteira e vem perdendo relevância nos últimos anos. Da mesma forma, a ideia de que o BRB ganharia uma carteira mais robusta e diversificada não se confirma: os dados mostram forte concentração em poucos devedores e em precatórios, expondo o banco público a riscos elevados.
Por fim, a tese de que a aquisição abriria novas oportunidades de trabalho também não encontra respaldo. Entre 2019 e 2024, o número de contratações foi muito baixo diante do crescimento exponencial da base de clientes, o que na prática apenas aumentou a sobrecarga sobre os trabalhadores do BRB.
Patrimônio público em risco
O Sindicato alerta que a insistência na aquisição, mesmo em meio a tantas irregularidades e riscos, compromete não apenas a imagem institucional do BRB, mas também a segurança de seus trabalhadores e clientes.
Da Redação