Terminou em impasse a negociação entre os sindicatos e o Santander, realizada na terça-feira, dia 26. Os bancários voltaram a cobrar o adicional da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mas o banco continua sem proposta.
Também não houve avanços em relação ao pacote de novas políticas para os empregados, anunciado pelo Santander nesta segunda-feira e que trata, entre outros assuntos, do plano de previdência e dos convênios médico e odontológico.
Os bancários destacaram para o banco que o adicional da PLR é imprescindível, pois os funcionários exigem valorização. O Santander remunerou de forma muito generosa os executivos e os acionistas. Só os trabalhadores foram marginalizados com uma PLR rebaixada por conta da confusão da publicação de dois balanços diferentes em que o Santander é altamente lucrativo.
Os dirigentes sindicais também cobraram o fim imediato das demissões e a solução para a falta de funcionários nas agências. É uma incongruência, o quadro defasado e o banco demitindo. Com isso, aumenta o número de horas extras, a extrapolação da jornada, o assédio moral e o desvio de função. Negociamos o centro de realocação e o pijama justamente para evitar as demissões e corrigir a questão da falta de pessoal. O banco precisa fazer a sua parte porque o problema está generalizado e a reclamação foi feita por sindicatos do Brasil inteiro.
Novas políticas
Os bancários pediram para o Santander o adiamento da implantação das novas políticas para os empregados. Segundo o banco, o pacote entra em vigor no dia 1o de junho. Os representantes dos trabalhadores destacaram que há muitos problemas com as alterações que o Santander quer fazer, principalmente com a assistência médica e com o plano de previdência privada.
O banco insistiu em que vai colocar o pacote em prática no dia 1º de junho. Com muita pressão, os bancários conseguiram arrancar uma nova negociação para esta quinta-feira, dia 28. O objetivo agora é tentar aparar algumas arestas, mas as mudanças têm muitos problemas. O Santander diz que está atendendo as reivindicações, mas na verdade os principais pontos ficaram de fora. A proposta foi construída de forma unilateral pelo banco e, do jeito que está, os bancários que têm o plano da HolandaPrev terão perdas muito grandes.
Os sindicatos vão continuar a pressão para que nenhum bancário seja prejudicado com as mudanças. E orientam que os funcionários do Santander não assinem nada e nem aceitem qualquer alteração nos planos de previdência e de saúde.
Outros pontos
Os representantes sindicais voltaram a cobrar a licença-maternidade de seis meses. O Santander disse que a reivindicação está em discussão na federação dos bancos e que vai seguir a orientação da Fenaban. Os representantes dos bancários destacaram que o Santander tem todas as condições de estender o benefício e desafiaram a diretoria a ser a primeira entre os grandes bancos privados a garantir esta conquista para os trabalhadores.
Os bancários também cobraram a solução dos problemas com o ponto eletrônico do Real. Os representantes do banco disseram que já corrigiram a falha que não registrava o ponto via intranet em São Paulo e que está fazendo o acerto em outras cidades. Os demais problemas, como a falta de ponto para os gerentes do Real, serão corrigidos, segundo o banco, com a implantação do mesmo programa do atual sistema de ponto eletrônico do Santander.
Os sindicatos pediram ainda um balanço do centro de realocação, do pijama e do abono indenizatório, conquistados recentemente pelos bancários. O Santander comprometeu-se a apresentar os números na reunião de quinta-feira.
Fonte: Seeb São Paulo