Santander aumenta lucro, mas corta mais de mil empregos e fecha 561 pontos de atendimento

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De acordo com os destaques das demonstrações financeiras do Banco Santander elaborados pelo Dieese, o banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 7,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 16,4%, alta de 0,9 ponto percentual em doze meses, impulsionado pelo aumento das receitas totais e pela expansão da margem financeira.

Apesar do crescimento nos lucros, os dados revelam cortes profundos em empregos e na rede de atendimento. Em doze meses, o Santander fechou 1.173 postos de trabalho, sendo 1.385 eliminados apenas no segundo trimestre. No mesmo período, reduziu sua rede física em 561 pontos de atendimento, dos quais 159 foram encerrados apenas entre abril e junho. Enquanto isso, a base de clientes aumentou em 4,5 milhões, alcançando 71,7 milhões em junho de 2025.

A carteira de crédito ampliada do banco somou R$ 675,5 bilhões, alta de 1,5% em doze meses, mas com queda de 1,0% no trimestre. O segmento de grandes empresas apresentou retração de 13% em um ano, enquanto o de pequenas e médias empresas cresceu 11,2%. No crédito ao consumo, voltado principalmente ao financiamento de veículos, houve expansão de 15,8%. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,1%, praticamente estável em relação ao ano anterior.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias permaneceram estagnadas em R$ 10,9 bilhões, enquanto as despesas de pessoal, incluindo PLR, cresceram 4%, somando R$ 6,3 bilhões. Isso reduziu a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias de 181,3% para 174,4% em doze meses, sinal de que o banco pressiona cada vez mais seus trabalhadores ao mesmo tempo em que amplia ganhos junto à clientela.

Mesmo diante de cortes em empregos e fechamento de centenas de agências, o Santander segue contribuindo de forma expressiva para o resultado global do grupo. A unidade brasileira respondeu por € 996 milhões, o segundo maior resultado mundial, atrás apenas da matriz espanhola, que lucrou € 2,25 bilhões no período.

Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato