O rapper brasiliense Gog está de volta com o lançamento de “Nu Banco”, em parceria com Mateus Santos, Nicollas Lima Paiva, Victor Hugo Pereira Rocha e Léia Alves Ferreira, artistas do rap da capital, colocando desta vez no centro do debate o modelo de atuação de empresas digitais e suas consequências para trabalhadores e usuários do sistema financeiro.
A canção ironiza a promessa de modernidade e simplicidade associada à empresa ícone dos “falsos bancos”, sugerindo também a ideia de um banco “nu”, desprovido de estrutura física, mediação humana e, em certa medida, de responsabilidades sociais historicamente vinculadas ao setor bancário tradicional.
A letra questiona a lógica das instituições que operam exclusivamente por aplicativos, vendem a ideia de autonomia e desburocratização, mas, na prática, transferem riscos ao cliente e operam com juros elevados, limites restritivos e atendimento automatizado que dificulta a resolução de problemas concretos. A promessa de inclusão financeira, segundo a narrativa artística, nem sempre se traduz em acesso real, orientação adequada ou proteção efetiva ao consumidor.
O lançamento ocorre em um contexto de expansão agressiva da Fintechs, que vêm invadindo o mercado financeiro em praticamente todos os segmentos: contas pessoais, crédito, investimentos, maquininhas, empréstimos instantâneos e serviços integrados. A abertura de contas em minutos e a ausência de tarifas clássicas são apresentadas como diferenciais competitivos, mas o modelo também tem sido acompanhado por novas formas de cobrança, endividamento recorrente e opacidade contratual.
A letra parte da vivência periférica para questionar essa transformação tecnológica do setor. O discurso central é que a digitalização, apresentada como avanço inevitável, não veio acompanhada de inclusão social, manutenção de postos de trabalho ou garantia de atendimento presencial para a população mais vulnerável. Em diferentes trechos, a música denuncia a lógica do crédito fácil nas periferias e o consequente ciclo de endividamento, ao mesmo tempo em que evidencia a dificuldade de acesso a serviços essenciais quando o atendimento humano é substituído por algoritmos.
“Nu Banco” é o segundo lançamento de uma série temática. Anteriormente, GOG lançou Robô Latrô, música que já denunciava os efeitos da automação, o fechamento de agências e o desemprego bancário.
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Da Redação
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