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27 de Março de 2026 às 11:24

Movimento sindical debate estratégias para enfrentar a violência de gênero e o feminicídio

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O enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio faz parte da atuação cotidiana do movimento sindical do ramo financeiro. Mais do que um tema pontual, trata-se de uma agenda permanente, construída a partir da organização das trabalhadoras e da criação de mecanismos concretos de acolhimento e proteção. Em seminário que reuniu dirigentes de diversas regiões do país, realizado dia 18 na Contraf-CUT, o debate se concentrou em como fortalecer e ampliar essas iniciativas diante de um cenário que segue alarmante no Brasil.

A discussão ocorre em um contexto de avanços importantes, tanto na organização das mulheres quanto na consolidação de políticas voltadas à prevenção e ao combate à violência. Nesse processo, foram conquistadas cláusulas específicas em convenções coletivas e estruturados canais de atendimento e acolhimento, que já vêm atendendo trabalhadoras em situação de violência doméstica e contribuindo para romper ciclos que afetam as mulheres e suas famílias.

Dados recentes apresentados durante o encontro mostram a dimensão do problema. Milhões de mulheres no Brasil já relataram ter sofrido algum tipo de violência doméstica, na maioria das vezes praticada por seus companheiros ou ex-companheiros. Além disso, é sabido que uma mulher em situação de violência doméstica sofre impactos diretos em sua vida profissional, seja por afastamentos, queda de produtividade ou dificuldades no ambiente de trabalho.

Para Zezé Furtado, secretária de Mulheres do Sindicato, a violência doméstica ainda é uma das expressões mais graves da desigualdade de gênero no país. “A violência doméstica é a grande chaga da sociedade brasileira que muitas vezes acaba na maior expressão de violência contra as mulheres, o feminicídio. No Brasil, onde a cada seis horas uma mulher é vítima de feminicídio, e a cada 24 horas mais de dez tentativas são registradas, é de extrema relevância que toda a sociedade exerça a sua parcela de responsabilidade no combate a essa violência.”

A dirigente também destaca a importância de fortalecer as redes de acolhimento e ampliar os canais de apoio às mulheres em situação de violência. “Por isso, é fundamental ampliar e fortalecer os canais filiados à rede Basta! Não irão nos calar, que hoje somam 14 em todas as regiões do país. Em Brasília, o canal Viva sem Violência, do Sindicato, desde julho de 2021 já ajudou 64 mulheres e suas famílias a se libertarem dessa situação nefasta de violência, justamente no ambiente que deveria ser de acolhimento e segurança.”

Outro ponto que ganha destaque é a articulação nacional no enfrentamento ao problema. O Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio representa um avanço ao integrar diferentes esferas na construção de políticas públicas, ampliando a capacidade de resposta diante da violência.

O debate também aponta para uma mudança necessária na sociedade. A participação dos homens no enfrentamento à violência contra as mulheres é fundamental para romper padrões que naturalizam essas práticas e construir uma cultura baseada no respeito e na igualdade.

Nesse contexto, o papel do movimento sindical vai além da denúncia. A atuação envolve a construção de instrumentos concretos de apoio às trabalhadoras, fortalecendo redes de acolhimento, orientação e encaminhamento para mulheres em situação de violência.

A construção de uma sociedade mais justa passa necessariamente pelo enfrentamento dessas violências, com políticas públicas consistentes, fortalecimento da negociação coletiva e compromisso permanente com a promoção da igualdade.

Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato

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