Notícias

29 de Março de 2011 às 18:30

Morre aos 79 anos o ex-vice-presidente da República José Alencar

Compartilhe

tn_620_600_alencar_agencia_br_arquivoÀs 14h41 desta terça-feira (29) foi encerrada a batalha do ex-vice-presidente da República José Alencar, 79, contra o câncer. Alencar, que lutava havia 13 anos contra a enfermidade, morreu vítima de neoplasia maligna e de falência múltipla de órgãos. Essencial para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, pai de três filhos – Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia – e avô de cinco netos (em 2001 ele passou a responder a um processo de reconhecimento de paternidade ajuizado por Rosemary de Moraes).

O ex-vice-presidente estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde a última segunda-feira (28), quando apresentou quadro de oclusão intestinal (entupimento do intestino). Alencar havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal.

Nascido em 17 de outubro de 1931, José Alencar foi o 11º filho de um total de 15 do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. O ex-vice-presidente nasceu em um povoado às margens de Muriaé, cidade de 100.063 mil habitantes no interior de Minas Gerais.

José Alencar começou a trabalhar aos 7 anos, no balcão da loja do pai. Em 1946, aos 15, deixou a casa da família, na zona rural, para trabalhar como balconista em uma loja de tecidos da cidade. Dois anos depois, em maio de 1948, José Alencar mudou-se para Caratinga, onde conseguiu emprego como vendedor. Ao completar 18, em 1950, Alencar abriu seu próprio negócio, com a ajuda de um dos irmãos. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros (MG), a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do País.

Nos anos seguintes, José Alencar foi presidente da Associação Comercial de Ubá, diretor da Associação Comercial de Minas, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Luta contra o câncer

O ex-vice-presidente travou uma longa batalha contra a doença. Nos últimos 13 anos, enfrentou uma série de operações e tratamentos médicos. Foram mais de 15 cirurgias. Em abril de 2010, desistiu da candidatura ao Senado para se dedicar ao tratamento do câncer.

Desde 1997, foram mais de dez cirurgias para retirada de tumores no rim, estômago e região do abdômen, próstata, além de uma cirurgia no coração, em 2005.
A maior delas, realizada em janeiro de 2009, durou quase 18 horas. Nove tumores foram retirados. Exames realizados alguns meses depois, no entanto, mostraram a recorrência da doença.

Também em 2009, iniciou em Houston, nos Estados Unidos, um tratamento experimental contra o câncer. Alencar obteve autorização para participar, como voluntário, dos testes com um novo medicamento no hospital MD Anderson, referência no tratamento contra a doença. O tratamento não surtiu o efeito esperado e o então vice-presidente voltou a fazer quimioterapia em São Paulo.

Após a maior das cirurgias, em 2009, Alencar saiu do hospital dizendo que não temia a morte. “Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte. A gente não sabe se a morte é melhor ou pior. Eu não quero viver nenhum dia que não possa ser objeto de orgulho", afirmou. “Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele.”

“José Alencar foi um exemplo de vida e de perseverança para todos os brasileiros. Sua destemida luta contra o câncer deve ser seguida por todos que têm vontade de viver e superar desafios. Aos familiares e amigos, nossas mais sinceras condolências”, afirma Rodrigo Britto, presidente do Sindicato.

Velório

O corpo do ex-vice-presidente da República José Alencar deixa São Paulo nesta quarta-feira (30) às 7h em avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e chega à Base Aérea de Brasília às 8h30 desta quarta-feira (30), onde receberá honras militares e será recebido pelos presidentes dos poderes: Michel Temer (presidente em exercício), José Sarney (Senado), Marco Maia (Câmara) e Cesar Peluso (Supremo Tribunal Federal). O governo federal decretou luto oficial de sete dias pela morte do ex-vice-presidente.

Da Base, o corpo segue em cortejo, no carro do Corpo de Bombeiros, para o velório no Salão Nobre Palácio do Planalto. A sugestão foi feita ao filho mais novo de Alencar pela presidenta Dilma Rousseff, assim que soube da morte do colega. Entre 9h30 e 10h, o caixão subirá a rampa conduzido pela guarda. Às 10h30, o velório será aberto para visitação pública e vai se estender pela madrugada. Na quinta de manhã o corpo segue para Belo Horizonte (MG).

Dilma antecipou a volta da viagem oficial de dois dias a Portugal --ela chegou hoje a Coimbra e retornaria ao Brasil na madrugada desta quinta (31) - a exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será homenageado nesta quarta-feira 30 no país.

Em pronunciamento em Coimbra, emocionada, Dilma enalteceu os oito anos de Alencar no governo Lula. "É um momento de muito sentimento. Foi uma grande honra ter convivido com ele", disse, para completar: “Ele foi inesquecível para o nosso país, todos nós estamos muito emocionados”, afirmou, ao lado de Lula, também bastante emocionado.

O ex-presidente soube da morte do companheiro por um dos médicos da equipe que o tratou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

A previsão é que a presidenta e Lula cheguem a Brasília no final da tarde desta quarta-feira (30). Na coletiva em Coimbra, Dilma adiantou que eles embarcam ao país ao meio-dia (8h, em Brasília).

Da Redação, com informações do UOL, G1 e Terra

Acessar o site da CONTRAF
Acessar o site da FETECCN
Acessar o site da CUT

Política de Privacidade

Copyright © 2025 Bancários-DF. Todos os direitos reservados

BancáriosDF

Respondemos no horário comercial.

Olá! 👋 Como os BancáriosDF pode ajudar hoje?
Iniciar conversa