
Com o tema “Duas mil e onze razões para marchar para desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade", as reivindicações da Marcha estão centradas em sete eixos fundamentais, que são biodiversidade e democratização dos recursos naturais; terra, água e agroecologia; soberania e segurança alimentar nutricional; autonomia econômica, trabalho, emprego e renda; saúde pública e direitos reprodutivos; educação não sexista, sexualidade e violência; democracia, poder e participação política.
Todas as regiões do Brasil enviaram representantes para o evento. Muitas delas já estavam na cidade desde a segunda-feira (15) participando de outras atividades da programação e dormindo no acampamento montado na Cidade das Margaridas.
Durante a abertura oficial da Marcha, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT e integrante da coordenação do evento, Rosane Silva, ressaltou que o modelo de sociedade defendido pela marcha é um modelo em que todas as mulheres sejam livres de fato. “Nós, da CUT, não nos sentimos somente parceiros da marcha, mas parte dela, pois a agenda de reivindicações da marcha faz parte da luta da CUT, com o destaque para duas: a política de valorização do salário mínimo e reforma agrária”.
Neuza Aparecida, 51 anos, é pescadora artesanal e veio de Palmas (TO) para participar do evento. “É a primeira vez que participo da Marcha e fiquei animada com tudo que conheci. Eu acredito que muitas coisas podem melhorar para nós em vários sentidos, principalmente na questão de financiamento. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) já ajudou a gente e esperamos mais incentivos para a nossa produção”, afirma.
Trabalhadoras de outros países também prestigiaram a Marcha, considerada a maior da América Latina. A equatoriana Lucía Yánez Ramos, coordenadora do projeto de gênero da Rede Fronteira pela Paz, com atuação na Colômbia, no Equador, no Peru e no Brasil, ressalta que “em todo o mundo ainda há políticas e culturas que geram a desigualdade entre homens e mulheres, por isso eventos como a Marcha ajudam a colocar em debate vários temas de relevância social, tais como os direitos iguais entre as pessoas, violência contra as mulheres e acesso às instâncias de direção política dos países.
Bancários marcam presença
A secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Deise Recoaro, que também está acampada na Cidade das Margaridas, destacou a importância da luta dos trabalhadores do ramo financeiro para as trabalhadoras rurais. “Um dos pontos da campanha dos bancários este ano é a regulamentação do sistema financeiro. Essa regulamentação pressupõe responsabilidade social por parte dos bancos, que dará possibilidades de acesso ao crédito das classes com menor poder aquisitivo, crédito rural e formas de pagamento que favoreçam o crescimento dessa área”, afirmou Deise.
Diretoras e diretores do Sindicato caminharam ao lado das ‘margaridas’, além de participarem das demais atividades que antecederam o evento, como a sessão solene de lançamento da Marcha, realizada na Câmara Legislativa, de iniciativa da deputada distrital Rejane Pitanga (PT-DF). “Valorizamos a luta das trabalhadoras e compreendemos que as reivindicações dessas mulheres também são importantes para a sociedade”, diz Fabiana Uehara, secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato. “As questões de equidade de gênero, saúde e educação de qualidade é bom para todos. As reivindicações dessas mulheres vão além da realidade rural”, completa Rosane Alaby, secretária de Imprensa do Sindicato.
Homenagem
A paraibana Margarida Alves, que dá nome à Marcha, foi lembrada pelas mulheres e sindicalistas durante o percurso. Muitas estavam com faixas e fotos da militante que esteve à frente da luta pelos direitos dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande (PB). Ela foi brutalmente assassinada por um matador de aluguel com uma escopeta calibre 12 há 28 anos.
“A luta das mulheres não é só delas. A luta é de todos, independentemente de profissão, raça e gênero. A Central Única dos Trabalhadores foi fundada no mesmo ano da morte da Margarida Alves, em 1983. Ela foi um exemplo dessas pessoas lutadoras em defesa dos trabalhadores, assim como nós”, lembra Jacy Afonso, secretário de Organização da CUT e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.
Programação continua
Na tarde desta quarta-feira, acontece o ato de encerramento da Marcha com o anúncio das respostas dos itens da pauta de reivindicações entregue ao governo federal em julho. A presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, está prevista na atividade programada para as 15h, no Pavilhão de Exposição.
Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília
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