
Apesar da prorrogação do Projeto Remoto, que contou com muita pressão dos representantes dos empregados e empregadas da Caixa para que acontecesse, diversos trabalhadores, inclusive pertencentes ao grupo de risco, estão sendo pressionados por gestores para retornarem ao trabalho presencial. A prática demonstra forte alinhamento da gestão do banco à posição do governo federal, que ignora a gravidade da pandemia do novo coronavírus e a importância do isolamento social.
Denúncias recebidas pelo Sindicato informam que, além dos gestores, consultores e coordenadores de Projeto Matriz, assistentes e até técnicos bancários estão sendo obrigados a voltar. Não há comunicado formal, apenas contato por ligações individuais, uma prática totalmente assediosa.
Incoerente, a medida vai na contramão até do mercado, que incentiva o home office neste momento, e do que o próprio Pedro Guimarães, presidente da Caixa, diz à imprensa. Em entrevista à CNN Brasil, em 24 de junho, Guimarães afirmou que a Caixa pretende expandir seu programa de trabalho remoto depois do período de pandemia.
A incompatibilidade do espaço físico de algumas unidades não respeita o protocolo preconizado pela Portaria Conjunta nº 20. Unidades sem janelas, ou com janelas que não abrem, e copas de dimensões inadequadas para a quantidade de empregados são algumas das queixas mais comuns. Outra denúncia dos trabalhadores menciona a atuação dos gestores que ajustam o grupo de risco ao seu bel prazer, alegando, por exemplo, que pessoas hipertensas com a pressão arterial estabilizada estão aptas a deixarem o home office. Trabalhadores com esta doença crônica, mesmo com a pressão arterial estável, continuam pertencendo ao grupo de risco.
Especialistas em epidemiologia e a própria Organização Mundial da Saúde alertam para o fato de pessoas com doenças crônicas, como asma, hipertensão e diabetes, serem mais propensas a ter complicações e morrer de Covid-19.
A cobrança de retorno ao trabalho presencial descumpre, inclusive, uma determinação do normativo vigente sobre "novos modelos de trabalho", que inclui claramente o "Projeto Remoto" como uma das categorias dos novos modelos de trabalho Caixa onde há expresso o prazo de 15 dias entre a comunicação do fim antecipado de qualquer modelo de trabalho pelo gestor e o retorno do empregado participante a sua unidade. Como não há comunicação oficial por parte da Caixa, esse prazo necessário ao empregado para ajustar a rotina familiar diária também não está sendo respeitado.
"Esse processo de assédio para o retorno às atividades presenciais, além de ser totalmente irresponsável, é descabido, considerando a dedicação e os resultados das atividades exercidas em teletrabalho. O retorno ao trabalho presencial ainda é perigoso no âmbito sanitário, visto que os casos de contágio no DF estão em plena ascensão, o que pode ser percebido pelo aumento do número de bancários testando positivo. Nós repudiamos todo e qualquer ato que impacte negativamente na vida do empregado e da sociedade como um todo, e cobramos o compromisso da Caixa com a vida humana em nova prorrogação do acordo de teletrabalho, bem como no combate às posturas abusivas de assédio para a quebra do isolamento social", frisa a diretora do Sindicato e empregada da Caixa Rafaella Gomes.
O Projeto Remoto, adiado até 17 de julho, é um dos principais itens do protocolo de atuação de gestores e empregados. A medida, construída em conjunto com as entidades e o movimento sindical, é essencial para promover a saúde e defender a vida dos empregados e da população durante a pandemia.
Joanna Alves
Do Seeb Brasília
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