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27 de Março de 2026 às 09:26

Galípolo critica juros do rotativo e defende crédito mais acessível à população

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que as taxas de juros do rotativo do cartão de crédito no Brasil são excessivamente elevadas e têm caráter punitivo, defendendo a necessidade de mudanças estruturais no sistema de crédito.

Segundo ele, a forma como o crédito emergencial é ofertado atualmente impõe custos elevados à população, especialmente aos consumidores que utilizam o rotativo como complemento de renda. “Uma grande maioria está pagando taxa acima de 100% [ao ano] nas linhas de crédito emergencial, o que envolve uma discussão mais de ordem estrutural desse arranjo”, afirmou.

Galípolo destacou que é fundamental avançar na construção de alternativas mais equilibradas. “É preciso produzir arranjos mais saudáveis para quem está tomando crédito”, disse.

O dirigente chamou atenção para a ampla utilização do cartão de crédito no país. Atualmente, cerca de 101 milhões de brasileiros utilizam essa modalidade, que passou por expansão significativa desde a pandemia de Covid-19, iniciada em 2020. O crescimento do uso do crédito tem sido acompanhado por aumento no endividamento e no comprometimento da renda das famílias.

Dados recentes indicam que esses indicadores se aproximam de níveis recordes, enquanto a inadimplência também registra alta. Parte desse avanço está associada a mudanças nas regras contábeis adotadas a partir de janeiro, que alteraram a forma de registro das operações financeiras.

O diretor do Banco Central, Paulo Picchetti, explicou que a elevação da inadimplência não deve ser interpretada de forma isolada. “Tem aumento, sim, da inadimplência, mas a comparação com números de antes não é tão grande quanto a leitura direta pode sugerir”, afirmou. Ele destacou que cerca de metade da alta recente está ligada às novas normas de contabilização.

No caso do rotativo do cartão de crédito, os números revelam um cenário crítico. Em janeiro, a taxa média anual chegou a 424,5%, com cerca de 40 milhões de usuários e índice de inadimplência de 63,5%. A modalidade é acionada quando o consumidor não paga integralmente a fatura e é considerada a mais cara do mercado.

Galípolo observou que muitos consumidores utilizam esse tipo de crédito de forma recorrente, o que agrava o quadro de endividamento. “As pessoas tomam, sim, crédito emergencial como renda disponível, é o crédito mais caro que deveria ser utilizado só em condições emergenciais”, disse.

Desde 2024, está em vigor a regra que limita o crescimento da dívida ao dobro do valor original, mecanismo conhecido como “muro inglês”. Na avaliação do presidente do Banco Central, a medida cumpriu seu papel inicial, mas pode exigir ajustes. “Mas talvez a extensão dessa política precise ser ponderada [...] o que é pior: crédito mais caro ou crédito que não consigo acessar?”, afirmou.

Ele defendeu a busca por um modelo que reduza o risco para as instituições financeiras e, ao mesmo tempo, amplie o acesso da população a linhas de crédito mais adequadas. “Ou seja, que não esteja usando o rotativo de maneira permanente como um pedaço da renda disponível, porque é uma taxa de juros bastante punitiva”, acrescentou.

O cenário de endividamento elevado também é acompanhado com atenção pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que avalia medidas para reduzir o custo do crédito rotativo. A equipe econômica trabalha na elaboração de propostas com esse objetivo.

Além disso, Galípolo destacou que o aumento do nível de preços tem pressionado o orçamento das famílias. Ele citou impactos decorrentes de eventos recentes na economia global, como a pandemia, a guerra na Ucrânia, tensões no Oriente Médio e medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

“Nosso objetivo é inflação, mas o do cidadão é nível de preço. [...] Tivemos quatro choques sucessivos de oferta que foi subindo esse nível de preço, isso se soma nessa função de análise mais complexa para o que está impactando o orçamento das famílias”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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