O cinema tem papel fundamental para entender a luta da classe trabalhadora para a conquista da plena dignidade humana, com inúmeras películas que mostram as batalhas travadas contra a exploração do trabalho, a imposição de condições degradantes impostas na cidade e nos campos para que a sociedade não se efetive como um espaço de respeito e garanta a satisfação das necessidades para uma vida de plena justiça social e efetivação da cidadania em todas as suas condições.
O Sindicato dos Bancários de Brasília apresenta uma relação de filmes, elaborada por Helder Molina, divididos em três blocos os quais permitem conhecer às lutas travadas pela classe trabalhadora no Brasil e no mundo. São obras que precisam serem assistidas e debatidas para reforçar a consciência e unidade da classe trabalhadora. Todas as obras estão com o link para serem vistas.
O primeiro bloco mostra a importância das greves operárias na luta contra a ditadura de 1964 e a busca pela redemocratização no Brasil: BRAÇOS CRUZADOS, MÁQUINAS PARADAS (1979); LINHA DE MONTAGEM (1982); CHÃO DE FÁBRICA (2018); VIDA ALÉM DO TRABALHO (2024); ABC DA GREVE (1980).
O segundo bloco apresenta as ações impostas pela política neoliberal, com o uso da tecnologia para aumentar a extração do lucro sobre o trabalho e propiciar maior concentração de riqueza nas mãos de poucos proprietários e a difusão de conceitos que buscam dividir a classe trabalhadora, que resiste e luta: PRIVATIZAÇÕES, A DISTOPIA DO CAPITAL (2016); O FUTURO É NOSSO (2023); ELES NÃO USAM BLACK TIE (1980); O HOMEM QUE VIROU SUCO (1981); A UBERIZAÇÃO DO TRABALHO (2019).
No terceiro bloco estão várias obras que mostram as condições impostas pelo capitalismo para manter a degradação da vida humana e relações do trabalho, com a imposição das políticas neoliberais e como os trabalhadores se organizam para fazer a resistência à exploração: ILHA DAS FLORES (1989); HISTÓRIA DAS COISAS (2011); A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO (1971); MEMÓRIAS CAMPONESAS (2002); TERRA PARA ROSE (2015); EU, DANIEL BLAKE (2016); GERMINAL (1993).
Importante assistir, se possível, em grupos, realizando o debate após a sessão, resgatando as experiências das lutas e buscando entender os mecanismos impostos pelo sistema para manter o controle econômico e a dominação política, ideológica e cultural. A história das lutas da classe trabalhadora mostra o caminho das conquistas, e o cinema nos ajuda nessa compreensão.
Organize a agenda e boa sessão.
Bloco 1 – Importância das greves operárias na luta contra a ditadura no Brasil.
1) BRAÇOS CRUZADOS, MÁQUINAS PARADAS (1979) – 116 minutos
São Paulo, maio de 1978. Três chapas disputam a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o maior da América Latina, então com 300.000 trabalhadores associados, e presidido por um pelego, desde o golpe militar de 1964. Em meio à campanha eleitoral sindical, eclodem as primeiras greves operárias que iriam mudar o país. Braços Cruzados Máquinas Paradas revela, em narrativa envolvente, como funciona a estrutura sindical brasileira, de inspiração fascista.
2) LINHA DE MONTAGEM (1982) – 87 minutos.
ABC, DITADURA, INÍCIO DO NOVO SINDICALISMO NO BRASIL
A investigação sobre a gênese do movimento sindical de São Bernardo do Campo entre os anos de 1978 e 1981, quando se produziram as maiores greves de metalúrgicos na região, desafiando a repressão do final da ditadura militar. As greves de 1979 e 1980 levaram à intervenção federal no Sindicato dos Metalúrgicos, à prisão de líderes, como Luís Inácio da Silva, processados com base na Lei de Segurança Nacional. A 1ª exibição pública de "Linha de Montagem" ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, para um público de 2 mil pessoas. No meio da sessão agentes da Polícia Federal chegaram com a ordem de apreender o filme, já que não possuía certificado de censura; Lula, Chico Buarque (que compôs a trilha sonora) e Tito Costa (prefeito de São Bernardo), negociaram com os policiais e acordaram que o filme seria entregue, rolo a rolo. Só que, ao invés disto, ele saiu pela janela diretamente para a sacola da faxineira Maria Elicélia Feitosa da Silva, que o encaminhou a outra pessoa, como é relatado no documentário "Peões", de Eduardo Coutinho; A cópia original de "Linha de Montagem" permaneceu por 20 anos na Cinemateca Brasileira. Sem condições ideais de conservação, quase foi consumida pelo bolor. A partir da quantia de R$ 860 mil fornecida pela Petrobras a cópia foi restaurada, em um processo que exigiu o tratamento de cada um de seus 98 mil quadros.
3) CHÃO DE FÁBRICA (2018) – 130 minutos
MOVIMENTO OPERÁRIO, GREVES, NOVO SINDICALISMO
O filme Chão de Fábrica conta a história da luta dos trabalhadores brasileiros desde 1978 até os dias atuais, com enfoque no movimento sindical, naquilo que ficou conhecido como o Novo Sindicalismo. Realiza um voo sobre a história do país observando as políticas econômicas dos diferentes governos do período de forma crítica, clara e bem-humorada, relacionando-as com a luta sindical. Chão de Fábrica é um filme sobre o trabalho e os trabalhadores do Brasil e um balanço sobre as alternativas atuais do movimento sindical.
4) ABC DA GREVE (1980) – 125 minutos.
CRISE DA DITADURA MILITAR, ARROCHO, GREVES, NOVO SINDICALISMO
Documentário de longa-metragem sobre a primeira greve brasileira fora da fábrica. Cobrindo os acontecimentos na região do grande ABC paulista, em 1979, o filme acompanha a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por melhores salários e condições de vida. Sem obter suas reivindicações, decidem-se pela greve, afrontando o governo militar. Este responde com uma intervenção no sindicato da categoria. Mobilizando numeroso contingente policial o governo inicia uma grande operação de repressão. Sem opção para realizar suas assembleias, os trabalhadores são acolhidos pela Igreja. Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo.
5) ELES NÃO USAM BLACK TIE (1980) – 122 minutos
ABC, GREVES, CRISE DA DITADURA MILITAR, NASCIMENTO DO NOVO SINDICALISMO
Baseado na peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri Sinopse: Ano de 1980, um dos últimos da ditadura militar no Brasil. Em São Paulo, a greve dos operários se prepara, dividindo os sindicalistas mais lúcidos e calculistas e os mais ansiosos e impulsivos. Ao mesmo tempo em que a luta se desenvolve, Tião -- filho de Otávio, sindicalista veterano marcado pela polícia -- e sua namorada, Maria, tomam a decisão de se casar. Temendo que lhe aconteça o mesmo que ao pai, Tião nem pensa em ficar do lado dos grevistas, hesitando mesmo em ficar do lado da empresa.
O Sindicato dos Bancários de Brasília deseja um bom entretenimento, que permita elevar a consciência histórica e política. Nossas lutas seguem e muitas batalhas, velhas e novas, se aproximam. Na próxima sexta-feira (13) o Sindicato divulga a relação de filmes do bloco 2. Boa sessão de cinema.
Da Redação
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