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26 de Maio de 2011 às 11:43

Estudo coloca trabalhadores brasileiros em vantagem sobre norte-americanos

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Um estudo realizado em parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a

Universidade Federal da Bahia (Ufba) abrangendo 70% dos trabalhadores formais urbanos
(não-agrícolas) do Brasil (55 milhões de pessoas) e dos Estados Unidos (116 milhões)
causou surpresa, entre os próprios pesquisadores, ao atestar que, no Brasil, os
assalariados têm mais proteção social e os empregos gerados têm sido de melhor qualidade
do que nos Estados Unidos - mesmo antes da eclosão da crise econômica mundial, em 2008.

No ensaio "Os sentidos das precariedades em dois mercados nacionais de trabalho: Brasil
e Estados Unido s", os pesquisadores Claudio Salvadori Dedecca e Wilson Menezes,
professores, respectivamente, da Unicamp e da Ufba, levam em consideração dados oficiais
dos países e fatores como remuneração, desigualdade da massa salarial e perfil do
contrato de trabalho, de acordo com a segurança oferecida ao trabalhador.

De acordo com os pesquisadores, os resultados contestam teses que relacionam melhorias
na remuneração média e na proteção social dos assalariados com menos regulação nos
contratos de trabalho.

Segundo o estudo, enquanto houve, na última década, no Brasil, expansão na absorção de
trabalhadores pelo mercado formal - com mais proteção social -, com aumento real na
média de salários (13% entre 2001 e 2009), nos Estados Unidos ocorreu fenômeno inverso:
a ampliação de vagas ocorre principalmente em áreas de remuneração mais baixa, como em
grandes redes varejistas, e é seguida por co nstante diminuição na proteção social. Além
disso, não resulta em aumento salarial médio real (3% entre 2001 e 2009).

Hoje, mostra a pesquisa, o trabalhador norte-americano não conta com diversos direitos
legais com os quais os empregadores brasileiros têm de arcar, como férias e feriados
remunerados, pagamento de horas extras e licença-maternidade.

"Os resultados apontam para uma redução das precariedades dos contratos de trabalho no
mercado brasileiro, (...) situação que não encontra sinalização para o mercado de
trabalho americano", conclui o estudo. "A constatação não confirma a tese que associa um
menor desemprego e maior proteção a uma menor regulação dos contratos de trabalho,
independentemente da efetividade das matrizes institucionais."

O levantamento integra um projeto maior, que inclui pesquisadores e universidades da
Europa e dos Estados Unidos. A próxima etapa será comparar as realidades dos mercados de
trabalho brasileiro e norte-americano com o mexicano.


Fonte: www.estadao.com.br

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