Caixa Econômica Federal

4 de Setembro de 2026 às 18:57

Empregados da Caixa em Brasília rejeitam proposta de acordo e vão à greve a partir da quinta (10)

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As empregadas e os empregados da Caixa em Brasília rejeitaram a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e entrarão em greve por tempo indeterminado a partir da quinta-feira (10).

Seguindo a orientação do Sindicato, 87,39% dos participantes votaram contra a proposta e 59,69% aprovaram a deflagração da greve.

Para o diretor do Sindicato Rhafael Torres, o resultado expressa a insatisfação dos empregados, sobretudo com as mudanças propostas para o plano de saúde. “A rejeição massiva tem o Saúde Caixa como ponto central. O banco quer impor um modelo de cobrança diferenciado por idade para os empregados e seus dependentes, punindo quem mais precisa e onerando o trabalhador. Nossa prioridade absoluta é garantir uma solução justa, que barre esse retrocesso e impeça novos impactos financeiros sobre a renda das famílias”, afirma.

O diretor da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Francinaldo Costa, ressalta que a decisão representa um recado direto à direção do banco. “A categoria demonstrou sua indignação com essa proposta absurda e deu um recado claro à direção da empresa: se não valorizar os empregados, a Caixa vai parar”, declara.

Principal entrave para um acordo, o modelo apresentado pelo banco para o Saúde Caixa, estabelece, para os empregados da ativa, contribuições diferenciadas de acordo com a idade do titular e de cada dependente. Para aposentados e pensionistas, a mensalidade do titular passa de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto o valor por dependente sobe de R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda familiar aumenta de 7% para 9%, com a manutenção da cobrança de 13 mensalidades anuais.

A proposta também prevê o aumento de R$ 75 para R$ 150 na coparticipação por consultas em pronto-socorro e a elevação do limite anual de coparticipação por grupo familiar de R$ 3.600 para R$ 4.800. Os dependentes indiretos ficarão fora do teto familiar, e todos os usuários estarão sujeitos a uma contribuição mínima de R$ 50.

Veja os demais pontos da proposta rejeitada:

  • Promoção por Mérito: retirada do Alcance.Caixa dos critérios para obtenção dos deltas, atendendo reivindicação da CEE. A Caixa também aceitou que os deltas relativos aos anos-base de 2026 e 2027 sejam pagos, respectivamente, em janeiro de 2027 e janeiro de 2028, para que a progressão produza efeitos durante todo o ano, e garantindo a possibilidade de dois deltas, sem a utilização do Alcance.Caixa como critério. Cada delta significa, em média, 2,31% de aumento na remuneração base.
    Carreira e remuneração: criação de um GT com participação das entidades para discutir PFG, PCS, Processos Seletivos Internos e remuneração variável. A CEE cobrou início dos trabalhos logo após a campanha e calendário intensificado ainda em 2026.
    Figital e Genesys: suspensão, até 31 de dezembro, da penalização no Alcance.Caixa relacionada ao tempo de atendimento/transbordo e ampliação do prazo de cinco para dez minutos. Também foi conquistada agenda específica de negociação para discutir o próprio modelo de trabalho, inclusive sobrecarga e o fim do atendimento simultâneo presencial e digital.
    Abono pecuniário de férias: possibilidade de conversão de dez dias em dinheiro independentemente do período de fruição das férias.
    Direito à desconexão: proteção do período fora da jornada, inclusive a proibição do uso de WhatsApp e outras ferramentas de mensagens a qualquer hora do dia e da noite e de qualquer outra ferramenta fora do expediente.
    Pessoas com deficiência: avanço no processo de enquadramento como PCD, inclusive pessoas com TEA, e possibilidade de adequações relacionadas à modalidade de trabalho e de redução de até 25% da jornada para realização de tratamento durante o horário de trabalho.
    Diversidade e equidade: compromissos relacionados à equidade nos processos seletivos, realização periódica do Censo da Diversidade, fortalecimento dos coletivos, equidade de gênero, campanhas antidiscriminatórias e de acessibilidade física, tecnológica e comunicacional.
    Programa Saúde Integral: ampliação para ações de saúde cardiovascular, dependências relacionadas a tabagismo, substâncias e jogos e atendimento especializado e contínuo a partir dos resultados do PCMSO, com custos totalmente cobertos pela Caixa, sem impacto ao Saúde Caixa.
    Ausências permitidas: ampliação de possibilidades relacionadas ao acompanhamento médico de filhos/enteados, tirando o limite de idade de 18 anos e permitindo o uso pelo próprio empregado; maior flexibilidade para utilização das ausências ligadas à paternidade e casamento; e até três dias anuais para exames preventivos de câncer e HPV.
    Licença-saúde: avanço para impedir que a devolução do adiantamento salarial comece enquanto ainda houver recurso contra indeferimento do INSS, além de possibilidade de parcelamento ou compensação em caso de decisão definitiva desfavorável. A proposta da Caixa permite ainda a possibilidade de tornar o adiantamento facultativo.
    Rede do Saúde Caixa: o acordo de reciprocidade com a Cassi, reivindicação antiga da representação dos empregados, amplia potencialmente a rede credenciada e ajuda a enfrentar vazios assistenciais.

Da Redação

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