

Nesta segunda-feira (30), último dia do CineClube Bancário de 2015, o Teatro dos Bancários recebeu sessão especial com o filme “Besouro”. No mês da Consciência Negra, o filme integra as celebrações promovidas pelo Sindicato em homenagem ao maior líder negro do período colonial, Zumbi dos Palmares.
Além da comunidade, os capoeiristas do grupo Roda Abadá Capoeira também foram convidados para assistir ao filme. Regidos pelo Mestre Fumaça, crianças e jovens do Quilombo Mesquita se apresentaram antes da sessão, acompanhados pelo som ancestral do berimbau.
Da capoeira, nasce um heroi
Manuel Henrique Pereira nasceu em 1897 em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Filho de ex-escravos, sentiu na pele as mazelas da escravidão - mesmo tendo nascido nove anos após a ilusória abolição.
Aos 20 anos, ficou mais conhecido como Besouro Mangangá. Assim como os outros negros, Besouro trabalhava nas fazendas da região, nas roças de cana de engenho. O temperamento forte trouxe o desentendimento com os patrões, tornando-o um marco na história do povo negro no Brasil pela resistência.
Os poucos registros oficiais sobre a vida do capoeirista descrevem episódios de brigas heroicas com a polícia, em que ele sempre se saía melhor, mesmo quando enfrentava as balas de peito aberto.
A história contada no filme é a interpretação do mito que Besouro se tornou. Com a proteção dos orixás, o capoeirista lutava contra a opressão do coronelismo que dominava a região.
A morte do heroi negro, assim como o restante da sua trajetória, é cercada de mistérios. De acordo com o registro policial da cidade, Besouro foi morto em uma emboscada. Já a lenda garante que o capoeirista foi atingido por uma faca de ticum, tida nas tradições das religiões de matriz africana como a única capaz de matar um homem de “corpo fechado”.
Joanna Alves
Colaboração para o Seeb Brasília
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