O Sindicato e a Fetec-CUT/CN percorreram, nesta terça-feira (28), agências de bancos privados nas asas Sul e Norte como parte do Dia Nacional de Luta por Remuneração, dentro da Campanha dos Bancários 2026. Com entrega de materiais e diálogo com trabalhadores e clientes, a atividade denunciou a postura de Itaú, Bradesco e Santander nas negociações e reforçou a mobilização em defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
A ação ocorre às vésperas de uma nova rodada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), marcada para quinta-feira (30), em São Paulo. A expectativa é de que os bancos abandonem as tentativas de fragmentar a negociação nacional e apresentem respostas concretas às reivindicações da categoria.
Presidente do Sindicato e da Federação Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Britto afirmou que Itaú, Bradesco e Santander estão entre as instituições que mais têm criado dificuldades na mesa. “Estamos denunciando principalmente os três bancos que mais estão causando problemas na negociação. Não aceitaremos retrocessos nem a perda da nossa Convenção Coletiva de Trabalho”, afirmou.
A resistência dos bancos contrasta com os resultados do setor. Somente em 2025, as cinco maiores instituições financeiras do país obtiveram lucro líquido conjunto de R$ 124 bilhões. Enquanto os ganhos crescem, bancários enfrentam metas abusivas, adoecimento, redução de postos de trabalho e fechamento de agências.
“Quando chega a hora de negociar, os bancos falam em perda de receita e redução dos lucros. O que vemos, porém, são resultados bilionários e recordes sucessivos, sem a responsabilidade social correspondente com os trabalhadores, clientes e usuários”, criticou Rodrigo.
CCT e unidade nacional sob pressão
Um dos principais alertas apresentados nas visitas foi a tentativa de enfraquecimento da mesa única, responsável por garantir uma Convenção Coletiva válida nacionalmente para trabalhadores de bancos públicos e privados.
José Garcia, dirigente da Fetec-CUT/CN, lembrou que a atual CCT tem vigência até 31 de agosto. Sem a renovação dentro do prazo, direitos construídos ao longo de décadas ficam ameaçados. “Os bancos tentaram criar divergências dentro da própria mesa e usaram sucessivas interrupções para evitar o avanço da negociação. Reafirmamos que não abriremos mão da unidade nacional nem aceitaremos a retirada de direitos”, declarou.
A diretora da Fetec-CUT/CN Suzana Gaia dialogou com os trabalhadores sobre os temas da campanha. Entre os pontos abordados estavam a saúde dos bancários, o adoecimento provocado pelas condições de trabalho, as reivindicações econômicas e a defesa da CCT como instrumento de unidade e proteção dos direitos da categoria.
José Anilton, dirigente da Fetec-CUT/CN, orientou os trabalhadores a acompanharem as negociações e participarem das mobilizações. Isso porque os informes apresentados nas agências buscaram aproximar a categoria do que está em discussão na mesa e preparar a resposta coletiva diante de possíveis ataques.
Ganância representada nas ruas
A atividade também utilizou uma encenação para representar a pressão exercida pelos bancos sobre trabalhadores e clientes. O presidente Rodrigo Britto mais uma vez se caracterizou como vampiro para representar os gananciosos banqueiros e, com uma seringa, simbolicamente reproduziu a lógica das metas abusivas, que exige cada vez mais dos bancários enquanto amplia os lucros das instituições.
José Avelino, também dirigente da Fetec-CUT/CN, relacionou a Campanha Nacional à defesa do emprego, da segurança nas agências e de equipes suficientes para garantir atendimento de qualidade. Ele ressaltou que uma eventual paralisação não é o objetivo da categoria, mas a mobilização poderá crescer caso os bancos mantenham a resistência às reivindicações.
O dirigente do Sindicato Rafael Guimarães reforçou que o fechamento de unidades e a redução do atendimento presencial também prejudicam a população. “A ganância dos banqueiros adoece trabalhadores e ameaça o atendimento. Pedimos o apoio da população para cobrar dos bancos a manutenção das agências e de um serviço realizado por pessoas, com atendimento humanizado”, afirmou.
A negociação desta quinta-feira será decisiva para medir a disposição dos bancos em avançar. Rodrigo Britto estará em São Paulo representando o Sindicato na mesa com a Fenaban e destacou que a mobilização continuará acompanhando cada etapa da campanha. “Entrem nas nossas redes ao final do dia e acompanhem o resultado da negociação. Precisamos do apoio e da participação de todos para impedir retrocessos e garantir uma CCT sem perda de direitos”, concluiu.
Da Redação
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