Empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal realizaram, nesta terça-feira (9), um Dia Nacional de Luta em defesa do Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho. Organizadas pela Contraf-CUT, Fenae, federações, sindicatos e Apcefs, as atividades ocorreram em agências bancárias e unidades administrativas do banco em diversas regiões do país.
Em Brasília, as atividades foram marcadas pela entrega do Boletim Avantes nos locais de trabalho, onde dirigentes sindicais dialogaram com as empregadas e os empregados sobre as reivindicações relacionadas ao plano de saúde.
As manifestações marcaram o lançamento da campanha “Saúde Caixa Sem Teto” e tiveram como principal objetivo conscientizar os trabalhadores sobre os impactos do limite de 6,5% da folha salarial, imposto pelo estatuto da Caixa para os gastos com a assistência à saúde dos empregados. Durante os atos, dirigentes sindicais distribuíram o boletim Avante, produzido pela Contraf-CUT e pela Fenae, que explica como o teto de custeio ameaça a sustentabilidade do plano e pode resultar em mais custos para os usuários. Também foram realizados diálogos com os empregados, reuniões nas unidades e atividades de mobilização nas portas das agências.
O coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, destacou que a mobilização é apenas o início de uma campanha que deve se intensificar nos próximos meses.
“Estamos falando do plano de saúde, que é uma das maiores conquistas históricas dos empregados da Caixa. O teto de custeio limita a participação do banco no financiamento e joga na conta dos usuários os custos da saúde que crescem acima da inflação e dos reajustes salariais. Se nada for feito, a tendência é aumentar a pressão sobre os trabalhadores. Por isso, fomos às ruas para dizer que o Saúde Caixa precisa ser sustentável e que o primeiro passo para isso é acabar com o teto”, afirmou.
Segundo Felipe, o movimento sindical também rejeita qualquer proposta que fragilize os princípios que historicamente garantiram a viabilidade do plano. “Não aceitaremos medidas que destruam a solidariedade, o mutualismo e o pacto intergeracional. O Saúde Caixa precisa continuar sendo acessível para empregados da ativa, aposentados e futuros aposentados, inclusive para os contratados a partir de setembro de 2018. Por isso, reivindicamos que a Caixa mantenha a contribuição para estes colegas quando eles se aposentarem”, completou.
Por mais saúde
Além da defesa do plano de saúde, o Dia Nacional de Luta também chamou atenção para problemas que vêm afetando diretamente a saúde dos trabalhadores da Caixa. O boletim distribuído durante as atividades destaca questões como falta de pessoal, fechamento de unidades, cobrança excessiva por metas, problemas de infraestrutura e a implantação de novos modelos de atendimento sem treinamento ou estrutura adequada.
Para o diretor executivo da Contraf-CUT e empregado da Caixa, Lívio Santos e Assis, a discussão sobre o Saúde Caixa não pode ser dissociada das condições de trabalho dentro da empresa.
“Defender o Saúde Caixa é defender a saúde das pessoas. E isso passa também pelas condições em que os empregados trabalham. Temos visto aumento da sobrecarga, redução do quadro de pessoal e processos de reestruturação que impactam diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores e o atendimento à população. Não faz sentido falar em valorização dos empregados sem investir em saúde e em condições dignas de trabalho”, ressaltou.
Outro tema presente nas mobilizações foi a crítica ao programa de remuneração variável da Caixa, chamado pelos dirigentes de “Super Injusto”. O movimento sindical denuncia a falta de transparência dos critérios utilizados pelo banco e defende um modelo mais simples e justo de reconhecimento aos empregados.
O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, reforçou que a luta pelo fim do teto de custeio é uma pauta que une empregados da ativa, aposentados e futuros aposentados.
“O Saúde Caixa faz parte da história dos empregados e da própria Caixa. Estamos mobilizados para garantir que o plano continue cumprindo sua função social e oferecendo atendimento de qualidade para todos. O fim do teto é uma medida necessária para assegurar a sustentabilidade do plano e impedir que os trabalhadores sejam penalizados por uma limitação criada pelo próprio banco”, afirmou.
As entidades representativas avaliam que a mobilização desta terça-feira foi um importante passo na construção da campanha nacional pelo fim do teto de custeio do Saúde Caixa. A expectativa é ampliar o debate nas unidades do banco e intensificar as ações de pressão durante as negociações com a direção da empresa.
“Quem cuida da Caixa precisa de cuidado. Essa frase resume o espírito da nossa mobilização. Vamos continuar lutando para que o banco valorize seus empregados não apenas no discurso, mas também na prática”, concluiu Felipe Pacheco.
Da Redação com Contraf-CUT
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