Bancárias e bancários de todo o país realizaram nesta terça-feira (17) o Dia Nacional de Luta contra as Demissões no Bradesco, denunciando a política do banco de redução de empregos e fechamento de unidades, mesmo diante de resultados financeiros expressivos.
Diretores do Sindicato e da Fetec-CUT/CN estiveram em diversas agências, dialogando com a categoria e a população e denunciando os efeitos da política adotada pelo banco.
A mobilização faz parte de uma campanha permanente do movimento sindical em defesa do emprego bancário, do atendimento digno à população e contra a reestruturação que vem sendo implementada pela instituição financeira nos últimos anos.
Os dados evidenciam uma contradição cada vez mais presente no setor: enquanto o Bradesco registrou lucro líquido de R$ 24,7 bilhões em 2025, com crescimento de 26%, o banco segue reduzindo sua estrutura e eliminando postos de trabalho.
Nos últimos anos, a redução do quadro de funcionários tem sido significativa. Segundo dados do Dieese, mais de 7,5 mil postos de trabalho foram fechados em cinco anos, sendo 3.539 demissões desde março de 2024 e 1.923 apenas em 2025.
José Garcia, diretor da Fetec-CUT/CN, reforça que a situação evidencia uma contradição no modelo adotado pelo Bradesco. “O que a gente vê hoje é um banco que bate recorde de lucro, mas segue cortando empregos e piorando o atendimento. Quem paga essa conta são os trabalhadores, com sobrecarga e pressão, e a população, que enfrenta filas, demora e cada vez mais dificuldade para ser atendida.”
Além disso, o fechamento de agências e a diminuição do número de funcionários afetam diretamente o atendimento à população. Entre os principais problemas relatados estão o aumento das filas, maior dificuldade para resolver demandas e a redução do acesso a serviços bancários, especialmente em cidades menores e regiões periféricas.
Outro ponto de preocupação é o avanço do modelo digital como substituição do atendimento presencial. Embora a tecnologia possa ser uma ferramenta importante, o movimento sindical alerta que ela não pode ser imposta nem substituir totalmente o atendimento humano, essencial para garantir qualidade, segurança e orientação adequada aos clientes.
Para a categoria, a luta contra as demissões no Bradesco vai além dos trabalhadores e envolve toda a sociedade. Clientes seguem pagando tarifas e juros elevados, mas enfrentam um atendimento cada vez mais precarizado.
Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato
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