Banco do Brasil

27 de Fevereiro de 2026 às 17:30

Denúncias relacionadas à gestão da BB Seguridade exigem solução e transparência

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Experiências recentes no sistema financeiro, como o caso BRB/Master, demonstram que crises institucionais não surgem repentinamente. Em geral, são precedidas por fragilizações graduais de setores de controle e integridade, perda de autonomia técnica e desconsideração de alertas de setores competentes.

Estruturas de integridade existem justamente para prevenir esse tipo de risco cumulativo e para proteger as empresas, seus acionistas, empregados(as) e a coletividade. Os compromissos das empresas com a sociedade pressupõem a manutenção de estrutura técnica robusta, autonomia das áreas de controle e ambiente institucional seguro para a denúncia e apuração de irregularidades.

Caso BB Seguridade

Em 24 de março de 2025, reportagem publicada pelo portal G1, intitulada “Empresa de seguros do Banco do Brasil tem denúncias de assédio e ‘desmonte’ de setor anticorrupção”, tornou públicas denúncias relacionadas à Superintendência de Controles Internos e Integridade (SCI) da BB Seguridade. A matéria apresentou relatos contundentes de fragilização da área e informou a instauração de procedimento no Ministério Público do Trabalho (MPT) para apuração dos fatos.

Em 28 de março de 2025, o Sindicato publicou a matéria “Desmonte da Área de Controles Internos e Integridade da BB Seguridade”, diante da gravidade dos relatos e da necessidade de esclarecimento institucional.

O Sindicato, nesta semana, reencaminhou ofício à Auditoria do Banco do Brasil, pedindo a tomada de providências. Contudo, até o presente momento, não houve resposta formal conclusiva dirigida à entidade sindical quanto a eventuais medidas adotadas para mitigação dos danos aos trabalhadores(as) diretamente afetados e ao afastamento dos denunciados.

O Sindicato reputa preocupante a ausência de manifestação institucional sobre tema sensível que envolve governança, integridade e proteção a denunciantes, circunstância que amplia a necessidade de esclarecimento público e de acompanhamento pelas áreas de controle competentes do Banco, com a devida transparência institucional.

Retrospectiva das denúncias e situação atual da área de controles

Desde 2024, vêm sendo formalizadas, nos canais institucionais do Banco, denúncias relacionadas ao enfraquecimento da SCI, responsável, sobretudo, pela supervisão da Lei Anticorrupção. Os relatos apontam:

● esvaziamento técnico da área;
● tentativa de restrições orçamentárias relacionadas ao Programa de Compliance e Integridade;
● perseguições e utilização de transferências de forma arbitrária;
● registros de adoecimento psíquico de empregados(as) vinculados às funções de fiscalização, controle e governança;
● ambiente institucional hostil.

Com a repercussão pública do tema no primeiro trimestre de 2025, as denúncias deixaram de ser apenas internas e passaram ao debate público. Ainda assim, conforme informações posteriormente encaminhadas ao Sindicato, persistem questionamentos quanto à recomposição técnica da área e à efetividade das garantias de autonomia e proteção aos trabalhadores(as) que exerciam, passaram a exercer ou venham a exercer funções de controle.

Também merece registro e preocupação a situação dos profissionais diretamente envolvidos nos relatos iniciais. Segundo informações posteriormente encaminhadas ao Sindicato, nenhum dos empregados que integravam a equipe da SCI no período em que as denúncias vieram à tona permanece atualmente na área.

Entre os trabalhadores que formalizaram denúncias, há o caso de uma empregada que permaneceu internada por período superior a cem dias em tratamento psiquiátrico.

Há também relato de vazamento de informações sensíveis de saúde de suposto denunciante, como forma de retaliação, em clara violação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Independentemente da avaliação individualizada das denúncias, é institucionalmente relevante e preocupante que trabalhadores de uma mesma área estratégica tenham, de forma reiterada, se afastado por questões relacionadas à saúde mental.

A situação exige apuração criteriosa e comunicação transparente, especialmente diante da solicitação formal já apresentada pelo Sindicato quanto às providências adotadas.

Manutenção de gestores citados nas denúncias

Conforme noticiado, as denúncias de assédio moral realizadas envolviam gestores vinculados diretamente à estrutura de governança e compliance da companhia.

Segundo informações disponíveis, o gestor nomeado na matéria publicada pelo G1, Maurício de Carvalho Azambuja, permanece até hoje na estrutura da BB Seguridade.

O Sindicato não antecipa conclusões quanto à responsabilidade individual. Ainda assim, considera fundamental que a companhia assegure total transparência, apresente as motivações e fundamentos que justifiquem a aparente ausência de mudanças e forneça informações sobre as medidas administrativas voltadas à proteção institucional da área de controles internos e à segurança dos profissionais que ali trabalham ou trabalharam.

Integridade institucional, proteção a denunciantes e saúde ocupacional

Estruturas de integridade exigem qualificação específica, independência funcional e estabilidade organizacional. Quando tais estruturas se tornam instáveis ou sofrem interferências, não se fragiliza apenas um setor administrativo, fragiliza-se o próprio sistema de proteção institucional da companhia.

A instabilidade prolongada em áreas de fiscalização tende a repercutir tanto na efetividade do compliance quanto na saúde dos profissionais responsáveis por exercer essas funções.

O debate sobre saúde mental no ambiente de trabalho tem ganhado destaque nacional. Em 2025, a Câmara dos Deputados realizou audiência pública específica para discutir as condições de saúde mental dos trabalhadores do setor bancário, reunindo representantes sindicais, órgãos públicos e especialistas para analisar as causas e consequências do adoecimento nesse contexto.

Os dados da Justiça do Trabalho evidenciam a dimensão do problema. Entre 2023 e 2024, verificou-se crescimento de 28% nas ações envolvendo pedidos de indenização por dano moral decorrente de assédio moral no trabalho, atingindo cerca de 116.739 processos. Em cinco anos, foram julgados mais de 450 mil casos de assédio moral no ambiente laboral.

A preservação da saúde psíquica dos trabalhadores não é questão periférica; é elemento estruturante de ambientes organizacionais responsáveis e compatíveis com padrões contemporâneos de governança.

Da mesma forma, a proteção efetiva aos denunciantes constitui pilar essencial de qualquer programa de integridade. Ambientes em que profissionais possam relatar irregularidades com segurança, sem receio de retaliações ou instabilidade funcional, fortalecem não apenas as áreas de compliance, mas a própria credibilidade institucional. A proteção ao denunciante não é concessão, mas mecanismo estruturante de governança e instrumento de prevenção de riscos.

Sindicato reafirma seu compromisso institucional com a integridade, fiscalização e defesa dos trabalhadores e trabalhadoras

O Sindicato reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente de trabalho seguro, como forma de preservação da saúde e da integridade física e psíquica dos trabalhadores. Condições adequadas de trabalho são indispensáveis à dignidade, ao bem-estar e ao pleno exercício das atividades profissionais.

Para tanto, continuará atento e atuante em seu dever de fiscalização, na denúncia de irregularidades e na defesa dos direitos sociais e trabalhistas da categoria.

A atuação sindical também buscará fomentar debate interno qualificado sobre governança, ambiente organizacional e preservação da saúde ocupacional dos trabalhadores(as), temas que se conectam diretamente à efetividade das áreas de controle.

Indicadores como rotatividade elevada em áreas estratégicas, aumento de afastamentos por questões de saúde mental, convergência de relatos e deterioração do clima organizacional não devem ser tratados como eventos isolados. São sinais que merecem análise institucional cuidadosa, especialmente quando envolvem estruturas responsáveis por fiscalização e compliance.

O momento exige responsabilidade e clareza. A transparência e o fortalecimento das estruturas de integridade são medidas que protegem não apenas os trabalhadores diretamente envolvidos, mas a própria instituição e o interesse público que ela representa.

Da Redação

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