O alerta feito pelo Banco Central ao Banco de Brasília (BRB), revelado pelo portal Vero Notícias, acende um sinal grave sobre a condução da instituição financeira pública do Distrito Federal. A exigência de um plano de ação para recuperação da liquidez, somada à estimativa preliminar de um rombo contábil que pode chegar a R$ 10 bilhões, evidencia que a crise enfrentada pelo banco não é pontual, tampouco recente.
Mais do que uma troca de nomes, o momento exige uma análise profunda da governança do BRB e, especialmente, do papel exercido pela sua diretoria e o seu Conselho de Administração (Consad).
A mesma diretoria que hoje participa de reuniões com o Banco Central para discutir soluções foi responsável por aprovar decisões estratégicas que contribuíram para o cenário atual, incluindo operações que agora estão sob questionamento de órgãos de controle e investigação da Polícia Federal. Essa contradição fragiliza qualquer discurso de reconstrução institucional e coloca em xeque a credibilidade do processo de recuperação anunciado.
O Conselho de Administração não é um órgão meramente consultivo. Ele tem a função de supervisionar, orientar e aprovar os rumos estratégicos da instituição. Quando decisões dessa magnitude resultam em riscos à liquidez, prejuízos bilionários e alerta do órgão regulador do sistema financeiro, é legítimo e necessário questionar a permanência de seus integrantes.
Para os trabalhadores e trabalhadoras do BRB, a defesa do banco passa, obrigatoriamente, pela defesa de uma governança sólida e comprometida com o interesse público. Não há fortalecimento real da gestão sem a revisão completa das instâncias que falharam em seu dever de fiscalização e zelo pelo patrimônio público.
Manter intacta a mesma diretoria e o mesmo Conselho que aprovaram decisões hoje contestadas, e que colocaram em risco a instituição e o emprego de todos os seus trabalhadores, significa transferir o ônus da crise para os empregados, para a sociedade e para o próprio futuro do banco. A reconstrução da confiança exige mudanças estruturais, e não apenas ajustes cosméticos.
É urgente e indispensável a renovação total da diretoria do BRB, e do Conselho de Administração, como passo fundamental para garantir transparência, responsabilidade institucional e a efetiva recuperação da credibilidade do banco perante a sociedade e seu corpo funcional.
Governança não se improvisa. E crise não se resolve repetindo as mesmas escolhas que a produziram.
Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato
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