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18 de Março de 2026 às 20:16

Copom baixa Selic em apenas 0,25 ponto percentual e mantém política que trava o crescimento e penaliza trabalhadores

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual escancara, mais uma vez, a falta de compromisso do Banco Central com o crescimento do país e com as necessidades reais da classe trabalhadora. Trata-se de um corte tímido, insuficiente e desconectado da realidade econômica e social brasileira.

Mesmo com a redução de 15% para 14,75% ao ano, o Brasil segue entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, em 9,51% ao ano, atrás apenas da Turquia. Na prática, isso mantém o país sob uma política monetária extremamente restritiva, que sufoca a economia, trava investimentos e dificulta a geração de empregos, penalizando quem vive do trabalho e beneficiando o rentismo.

Não há justificativa consistente para tamanha “cautela”. A inflação está em queda e dentro da meta, com o IPCA acumulado em 12 meses em 3,81%, e as expectativas seguem controladas. Ainda assim, o Banco Central insiste em recorrer a fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, para sustentar juros elevados, apesar do caráter temporário desses choques.

Os efeitos dessa política já são sentidos no cotidiano. A economia desacelera, o consumo das famílias perde força e os investimentos encolhem. Ao mesmo tempo, o endividamento cresce e já compromete quase metade da renda das famílias, enquanto a inadimplência avança.

Juros que travam a economia

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçam o excesso de conservadorismo. Com a Selic em 14,75%, a taxa real chega a cerca de 10,4% ao ano, 5,4 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central. Segundo a entidade, a taxa de equilíbrio deveria estar próxima de 10,1%, o que indica que o nível atual é cerca de 4,6 pontos percentuais mais restritivo do que o necessário para controlar a inflação.

O crédito caro pressiona o caixa, dificulta a produção e impulsiona um volume recorde de renegociações de dívidas, que já ultrapassam R$ 100 bilhões, aprofundando a fragilidade do setor produtivo.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a decisão evidencia o descompasso entre o Banco Central e a realidade vivida pela população. Mesmo com o corte, a Selic segue elevada, mantendo o crédito caro, agravando o endividamento e dificultando a recuperação econômica, aponta a entidade.

O economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Gustavo Cavarzan, afirma que o país permanece preso a uma política que transfere renda para o setor financeiro. Segundo ele, o endividamento das famílias chegou a cerca de 80% da renda no governo anterior e se mantém nesse patamar, enquanto a Selic foi elevada de 2% para 13,75% nos últimos anos, encarecendo o crédito. “Mesmo agora, com a inflação sob controle, o ritmo de queda é muito lento”, critica.

A própria CNI alerta que há margem para cortes mais robustos já na próxima reunião do Copom. Para a entidade, uma redução mais significativa da Selic é indispensável para destravar investimentos, reduzir o endividamento das famílias e recolocar o país em trajetória de crescimento com geração de emprego e renda.

Com a inflação sob controle e a economia precisando reagir, o movimento sindical reforça a necessidade de mobilização e pressão por uma mudança imediata na condução da política monetária. Seguir com juros nas alturas é condenar o Brasil à estagnação e impor, mais uma vez, que a conta seja paga pelos trabalhadores.

Da Redação, com informações da Contraf-CUT

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