Banco do Brasil

23 de Setembro de 2026 às 14:28

Coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro coloca BB e estatais na agenda de privatizações

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Foto: O Globo

A possibilidade de privatizar o Banco do Brasil voltou à agenda eleitoral pelas mãos da equipe de Flávio Bolsonaro (PL). Em encontro com empresários, em São Paulo, a coordenadora de seu programa econômico, Daniella Marques, incluiu o BB entre as instituições que poderiam ser vendidas. A sinalização integra uma agenda de privatizações inspirada, segundo ela, nas medidas de Javier Milei, na Argentina, e do governo de Jair Bolsonaro.

A receita é conhecida, ou seja, apresentar a venda do patrimônio público como caminho para a eficiência. No caso do BB, porém, falta explicar qual problema a privatização resolveria. O banco gera lucro, disputa clientes e financia atividades essenciais à economia. Sua atuação demonstra que resultado financeiro e compromisso com o desenvolvimento podem fazer parte da mesma instituição.

Esse compromisso aparece no crédito que permite ao agricultor preparar a próxima safra, à pequena empresa manter suas atividades e aos municípios investir em infraestrutura. São decisões que chegam à produção de alimentos, ao emprego e à vida nas cidades. Colocar o BB à venda significa entregar também o controle sobre uma estrutura que ajuda a definir onde e em quais condições esses recursos chegam.

Há uma contradição na própria proposta. Ao afastar a privatização da Caixa, Daniella reconheceu a importância do banco para levar crédito e oportunidades à população. Esse argumento também sustenta a defesa do Banco do Brasil. A função pública que merece ser preservada em uma instituição não desaparece quando se muda o nome na fachada.

A questão, portanto, é o que orienta a atuação do banco. Sob controle público, o BB pode combinar a busca por resultados com políticas de crédito, apoio à agricultura familiar e financiamento ao desenvolvimento. A venda transferiria o comando dessas escolhas a novos controladores. Quem defende essa mudança precisa explicar por que os interesses da população estariam mais bem protegidos depois dela.

Em Brasília, o debate encontra um alerta concreto. Celina Leão, aliada de Flávio Bolsonaro e integrante da gestão que comandava o Distrito Federal durante as operações com o Master, governa hoje diante da crise do BRB. O comprometimento do banco público em negócios com uma instituição privada exige explicações e responsabilização pelas decisões tomadas. Não autoriza transformar a crise em argumento automático para entregar o patrimônio público.

O caso também desmonta a ideia de que o interesse privado é, por definição, garantia de boa gestão. Defender um banco público exige cobrar transparência, fiscalização e responsabilidade de quem o administra. A população não pode pagar pelos erros de seus dirigentes e ainda receber a venda do próprio patrimônio como solução.

É essa cobrança que a agenda de Flávio Bolsonaro precisa enfrentar. Prometer eficiência é fácil; demonstrar como a venda do BB melhoraria a vida de quem depende de crédito exige respostas. Até aqui, a proposta aponta quem perderia o controle do banco: a sociedade brasileira. Falta explicar por que ela deveria abrir mão dele.

Da Redação

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