A ofensiva de Celina Leão no Supremo Tribunal Federal tenta reorganizar as responsabilidades pela crise. O GDF quer obrigar a União a garantir o empréstimo de R$ 6,6 bilhões para capitalizar o BRB.
A pressa é compreensível. O deslocamento da responsabilidade, não.
Celina cobra uma solução como se a crise viesse de outro governo. Mas era vice-governadora e integrava o núcleo político que comandava o GDF quando o BRB ampliou sua exposição ao Banco Master e tentou comprar a instituição. Agora não pode ocupar o papel de espectadora.
Foi sob a condução política de Ibaneis Rocha e Celina Leão que o BRB chegou ao pior momento de sua história. Enquanto o negócio com o Master recebia sustentação política, o Sindicato se posicionava contra a aquisição por não identificar interesse público.
Agora, o GDF diz não ter recursos para capitalizar o banco e tenta transferir a garantia à União. O governo federal pode ajudar, mas isso não apaga a origem do problema.
Após meses de negociação, o GDF volta ao Supremo para que o Judiciário force os demais participantes a agir. Isso expõe a falta de articulação e de força política do governo local.
A estratégia produz uma narrativa eleitoral conveniente: se o socorro avançar, o governo poderá colher os resultados; se fracassar, poderá acusar a União de abandonar o BRB.
O banco não pode virar escudo de campanha nem instrumento para terceirizar culpas.
Celina passou a defender a responsabilização de ex-gestores. É necessário, mas insuficiente. A apuração deve alcançar quem nomeou, supervisionou, autorizou e ofereceu sustentação política ao negócio.
Salvar o BRB exige recuperar recursos, responsabilizar os envolvidos, publicar os balanços e garantir transparência na venda de ativos.
As bancárias e os bancários, os clientes e a população não podem pagar pela irresponsabilidade de gestores e autoridades.
Celina não pode empurrar ao governo federal a conta de uma crise gerada durante a gestão que integrou. O GDF precisa assumir sua responsabilidade e proteger o banco que deveria ter fiscalizado.
Da Redação
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