O tratamento dado pela imprensa, por políticos e pelo mercado financeiro diante da situação enfrentada pelo BRB e pela Raízen S.A. mostra a diferença na busca de solução para os prejuízos no setor público e no privado, privilegiando o capital privado e punindo a vítima, que é o banco público. Nos dois casos, comprovam-se a inconsequência e a irresponsabilidade dos gestores ao gerar danos à economia nacional, atacando o patrimônio público dentro do Sistema Financeiro Nacional, no caso do BRB, e, no segundo, provocando prejuízos bilionários à joint venture entre a Shell e a Cosan.
BRB, o banco público de Brasília
O prejuízo causado pelo governo de Ibaneis Rocha ao Banco de Brasília, na transação com o Banco Master, deixou um saldo de aproximadamente R$ 6 bilhões. O problema é do Master, mas arrasta o BRB e, na imprensa, há grande difusão das denúncias (todas desencontradas e tendenciosas), e no Congresso Nacional, mobilização de políticos, além de ações no STF. As informações que circulam mostram uma ação iniciada ainda na gestão de Campos Neto, quando era presidente do Banco Central, com campanhas que Ibaneis propagandeava como sendo um grande negócio, comprovando-se que era o verdadeiro conto do vigário.
Ao mesmo tempo, o governador de Brasília, responsável pela situação em que se encontra o BRB, tem sido abandonado por seus pares, que apoiaram a ação. Agem como verdadeiros ratos pulando do barco.
Ninguém fez a conta de quanto o BRB já deu de retorno financeiro para o GDF durante sua existência, na administração de políticas públicas locais e no suporte e atenção aos empreendimentos econômicos da capital.
Também não fazem a conta dos retornos futuros que o BRB dará, sendo um banco público e rentável, capaz de superar as condições a que foi submetido nesta transação.
Raízen S.A., o ataque ao setor energético
A Raízen S.A. é uma joint venture entre a Shell e a Cosan. Foi fundada em 2011, tem sede no Rio de Janeiro e é responsável pela produção de etanol de cana-de-açúcar, sendo a principal exportadora desse combustível no Brasil. Atua na produção de açúcar, etanol, lubrificantes e geração de energia renovável (biogás e bioeletricidade), além de logística, transporte, distribuição de combustíveis, exportação e varejo. É responsável por operar mais de 8,1 mil postos da Shell e quantidade semelhante de lojas de conveniência na Argentina, Brasil e Paraguai.
A empresa enfrenta uma grave crise financeira. Apenas entre outubro e dezembro de 2025, teve um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões. Segundo os relatórios da Raízen S.A., atualmente a dívida líquida chegou a R$ 55,322 bilhões. A direção da empresa energética afirma que o prejuízo decorre, “como evidenciado pelo rebaixamento de seus ratings corporativos pelas principais agências nacionais e internacionais”. Atualmente, o maior credor da empresa é o banco Santander.
De acordo com artigos que circulam em veículos especializados, uma recuperação judicial da Raízen S.A. é uma possibilidade distante, não se descartando o caminho de uma recuperação extrajudicial, já que a dívida da companhia está atrelada a instrumentos do mercado de capitais, o que dificulta uma negociação com todos os credores.
O BTG Pactual apresentou uma proposta de recuperação, o que não agradou os credores, em razão de essa instituição possuir vínculo com a Cosan, o que comprova, segundo os credores, conflito de interesses.
Antes do Carnaval, aconteceu uma reunião entre o presidente Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e representantes dos controladores da Raízen S.A. - Cosan, Shell e Banco BTG Pactual - para encontrar uma saída diante da situação da Raízen S.A., a fim de reduzir a pressão sobre o balanço deficitário da companhia.
BRB x Raízen S.A., dois pesos e duas medidas
O resultado da operação de compra de carteiras do Master deixou rastros bem visíveis, com as marcas digitais dos responsáveis. Como mostra o abandono do governador Ibaneis por seus sócios, os responsáveis pela ação predatória contra a instituição tentam permanecer impunes, pois, se levarem o BRB à privatização, tudo será abafado, como foi feito no caso da Americanas.
No caso dos prejuízos existentes da Raízen S.A., nada se fala, nem nas redes, nem na mídia tradicional ou no parlamento. O que se vê é a busca silenciosa de recursos da União para salvar uma empresa privada, garantir a riqueza e os lucros dos acionistas e dos especuladores que ganham para ficarem mais ricos.
“Não jogar o bebê fora junto com a água do banho!”
O Sindicato dos Bancários de Brasília está fazendo uma campanha em defesa do BRB para preservar a instituição como banco público. Isso é uma questão de princípios. Não é apenas uma questão de discutir empregos, é preservar o patrimônio público, com papel social e de desenvolvimento econômico local, com retorno para o povo, não para capitalistas selvagens.
O Sindicato, que tem papel destacado na defesa da instituição, denunciou desde o começo os erros e os interesses do governador, que contou com o apoio da mídia e de parlamentares.
É bom frisar: defender o BRB público não é deixar de exigir a identificação e responsabilização dos “CPFs”, nem anistiar golpistas. É preciso separar as coisas e lembrar do velho ditado de que o be(R)bê não é o mesmo que o Ibaneis.
Por outro lado:
• por que o silêncio no caso do prejuízo da Raízen S.A.?
• por que não há uma mobilização no Congresso Nacional ou nos veículos de comunicação para que sejam identificadas as origens e os responsáveis pelo prejuízo na empresa privada de grande importância no setor energético brasileiro, que pode retirar do orçamento público R$ 55 bilhões para salvar uma empresa privada?
Essas perguntas precisam ser respondidas por toda a sociedade. O mercado quer apenas lucros, seguir utilizando o patrimônio do povo e ganhando fortunas.
Eu- e nós - somos + BRB!
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