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20 de Junho de 2026 às 11:57

Bancários do Itaú, Bradesco e Santander fecham suas pautas de reivindicações

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São Paulo - Bancários dos bancos privados realizaram encontros separados por instituição para discutir as demandas específicas, expondo preocupações e reivindicações que serão levadas à 26ª Conferência Nacional dos Bancários, aberta nesta sexta (19), em São Paulo. A Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários (CCT) tem validade de dois anos e será renovada em 1º de setembro.

Itaú

No Itaú, as grandes questões são a reestruturação do banco, o fechamento de agências físicas, a garantia do emprego e os impactos da inteligência artificial na organização do trabalho e na saúde dos trabalhadores. Washington Henrique, diretor da Federação Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), explica que o monitoramento dos trabalhadores por inteligência artificial é uma das preocupações levantadas porque gera demissões: foram 1.100 só em São Paulo. A IA do banco teria detectado "baixa aderência" como justificativa para demitir. Os bancários não aceitam o uso dessa ferramenta como critério.

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O desemprego e as demissões em massa preocupam. Washington diz que hoje o banco tem 82 mil funcionários, sendo que o próprio Itaú "diz que até 2030 o banco vai estar totalmente digital. Então, a preocupação é: será que teremos esses 82 mil, ou vai cair para 50 mil, 35 mil? Quantos vão ficar depois dessa inteligência artificial ser aplicada dentro dos bancos?".

De acordo com o Dieese, a holding Itaú extinguiu 3.535 postos de trabalho entre 2024 e 2025, encerrando dezembro de 2025 com um quadro de 82.693 trabalhadores. Além disso, o Itaú fechou 2.439 agências em dez anos.

Outra grande preocupação é com a saúde, o que pode ser observado pelo aumento dos casos de adoecimento devido à cobrança pelo cumprimento de metas, ao assédio moral e ao medo de perder o emprego diante do fechamento de tantas agências.

As discussões também abordaram a dificuldade financeira de permanência dos aposentados no plano de saúde, o que é uma injustiça depois de anos de dedicação ao banco.

O documento unificado será entregue ao Itaú em 2 de julho, marcando o início das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

Santander

No Santander, as propostas apresentadas são a manutenção do emprego bancário, a preocupação com as reestruturações, o fechamento de agências e o cuidado com a saúde dos trabalhadores.

Só no primeiro trimestre deste ano, o Santander registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões porque o banco se baseia em um modelo seletivo de clientes, automatizado, digitalizado, com forte redução de custos, fechamento de agências e redução de funcionários.

Eliza Espíndola, dirigente e representante na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander pela Fetec-CUT/CN, explica que o banco está fazendo uma reestruturação e contratações fraudulentas, "abrindo vários CNPJs para prestar serviço para ele mesmo. Vem mudando a forma de contratação para uma modalidade inferior à categoria bancária, sendo que esses colegas executam as mesmas atividades dos bancários". No entanto, esses trabalhadores não estão cobertos pela Convenção Coletiva nem pelos Acordos Coletivos dos bancários porque essas empresas não fazem parte da categoria bancária, apesar de seus empregados realizarem o mesmo serviço dos bancários.

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Onze anos atrás, cerca de 90% dos trabalhadores eram bancários. Hoje, são apenas 50%, em boa parte devido às terceirizações fraudulentas. De acordo com o Dieese, só no ano passado o Santander fechou 323 agências e 256 postos de atendimento, reduziu em 10% o número de empregados efetivos e ampliou em 11% o de terceirizados.

Adoecimento

Os bancários que permanecem no Santander sofrem com o aumento das atribuições, a pressão por metas cada vez maiores e um ambiente cada vez mais desgastante. Todo esse conjunto reflete diretamente na saúde física e mental dos bancários, com aumento dos riscos de adoecimento. A categoria bancária está entre as que mais registram afastamentos no país. Embora represente cerca de 1% do total de trabalhadores empregados no Brasil, responde por quase 15% de todos os afastamentos e concessões de auxílio-doença em decorrência de transtornos mentais e comportamentais (como burnout, depressão e ansiedade).

Mobilização

Eliza afirma que o Acordo Coletivo específico do Santander é o mais completo, com mais de 40 pontos de acordo além da Convenção Coletiva de todos os bancários. Já houve uma mobilização muito importante na construção dessa minuta.

"Agora, a gente vai realmente para o debate, para as negociações. Então, é muito importante a categoria se manter unida até a gente conseguir renovar e avançar o acordo. Porque o Sindicato é a união dos trabalhadores."

Bradesco

O Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco teve como tema "Mais valorização, direitos e futuro" e também discutiu formas de se contrapor ao fechamento de agências, à redução de postos de trabalho, às metas abusivas, aos problemas de saúde e aos impactos da inteligência artificial.

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No Bradesco, em média, a rentabilidade é 30% superior à do ano anterior, mesmo com fechamentos e demissões. "Ou seja, as pessoas que ficam são responsáveis por dar esse lucro. Então, essas metas abusivas hoje estão ocasionando doenças", afirma José Garcia, diretor da Federação Centro-Norte. "Muita gente trabalha hoje com remédio de tarja preta na gaveta. E nem atestado eles tiram quando estão em crise porque não querem deixar pistas para o banco descobrir que o trabalhador já está em processo de adoecimento."

Inteligência artificial

Com os aplicativos de celular, os computadores e a inteligência artificial, reduziu-se muito a necessidade de as pessoas irem ao banco. Não se trata de voltar ao tempo das cavernas, brinca o dirigente. Mas é uma questão de ajuste para não causar mais fechamentos de agências, desemprego e ainda mais pressão sobre quem permanecer.

Mobilizados

A negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos, o sindicato dos banqueiros) sempre é difícil. Mesmo assim, os bancários são uma das categorias que, por sua força, ainda conquistam aumento salarial com ganho real. Essa é uma das metas propostas pelos trabalhadores do Bradesco: reposição da inflação e mais um acréscimo a ser negociado com o patronato. Isso sem perder as cláusulas benéficas já previstas no acordo em vigor e com o acréscimo de outros itens favoráveis aos bancários.

Por isso, os dirigentes e delegados do encontro do Bradesco pedem que a categoria como um todo esteja mobilizada, esclarecendo os colegas e pressionando para que os Acordos Coletivos e a Convenção Coletiva sejam positivos para os bancários.

Jô Miyagui
Colaboração para o Sindicato

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