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30 de Maio de 2011 às 20:00

Bancos faltam à audiência pública no Senado que discutiu igualdade de oportunidades no setor

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Os bancos mais uma vez deram uma mostra de que não estão nem um pouco preocupados com a inclusão de negros e negras no mercado de trabalho e não compareceram à audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, nesta segunda-feira (30), para discutir a igualdade de oportunidades no ramo financeiro. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) se limitou a enviar um documento dizendo que participaria de futuros debates sobre o tema, frustrando todos os participantes.

 

A audiência foi requerida pelo senador Paulo Paim (PT-RS) por solicitação do diretor-executivo da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), frei David Raimundo Santos. Também participaram do encontro o diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, Eduardo Araújo, o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Júlio Cesar Silva Santos, e a secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) da Presidência da República, Anhamona da Silva Brito.

 

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Os representantes das entidades cobraram a implementação de ações para inclusão dos negros nas instituições financeiras, com base nas conclusões do Mapa da Diversidade. A pesquisa, realizada com mais de 200 mil bancários em 2008, confirmou a discriminação dos trabalhadores por raça e gênero, denunciada há tempos pelo movimento sindical. “Sindicatos de todo o país fizeram atividades no último dia 13 de maio, dia da Abolição da Escravatura, para chamar a atenção da população sobre a discriminação nos bancos e pressionar as instituições para adoção de políticas de inclusão desse segmento no mercado de trabalho, principalmente o setor bancário, inclusive nos cargos de chefia e no alto escalão”, afirma Eduardo Araújo, diretor do Sindicato.

 

O combate à discriminação nos bancos poderia ter avançado mais caso a Febraban tivesse cumprido, por exemplo, o protocolo de intenções assinado com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2010. O texto previa que em até 90 dias contando da assinatura do protocolo, ocorrida dia 28 de julho, a Federação deveria apresentar um plano de trabalho com políticas de inclusão e capacitação dos negros no setor bancário. “O plano não foi apresentado e o debate de inclusão no setor financeiro ainda não ocorreu a contento. Era algo perfeitamente possível a efetividade dessas ações”, disse Anhamona Silva de Brito, secretária de Ações Afirmativas da Seppir.

 

As ações do plano deveriam incluir itens para o ingresso dos negros nos cargos de direção, ampliação do acesso deles nas instituições financeiras com ênfase na juventude, ações afirmativas da cultura afro e políticas de capacitação para o segmento, entre outras.

 

As entidades também cobraram a aplicação do Estatuto de Igualdade Racial, aprovado no ano passado e que garante à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos, o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. “Vamos cobrar o cumprimento da lei e denunciar os casos de discriminação. Também buscamos apoio de parlamentares para aprovarmos o projeto de lei que institui as cotas”, diz o senador Paulo Paim (PT-RS).

 

O sistema de cotas para negros nas universidades públicas será tema de debate dessa terça-feira (31), a partir das 9h, no auditório da Reitoria da UnB. O encontro é uma iniciativa do Senado Federal, da UnB e da Educafro para discutir a efetividade dessas ações afirmativas.

 

Ações na prática

 

O Sindicato organizou manifestações pelo fim da discriminação percorrendo vários pontos de Brasília durante o mês de maio. E também está atuando em outras frentes. Na esfera jurídica a entidade também buscará a inclusão. O Sindicato vai ajuizar ações civis públicas junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) com base nos dados do Mapa da Diversidade sobre o Distrito Federal. Segundo o Mapa, as mulheres negras no DF representam apenas 12% do corpo funcional. Quanto à remuneração, na região Centro-Oeste os brancos recebem, em média, R$ 4.142; já os negros, com igual qualificação, R$ 3.614.

 

Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília

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