Banco BRB

9 de Abril de 2026 às 09:31

Banco Master foi barrado por falta de comprovação de recursos e liberado meses depois na gestão Campos Neto, revela Galípolo

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Declarações do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, trazem novos elementos ao debate sobre o caso Banco Master e expõem decisões relevantes tomadas ainda na origem da instituição.

Segundo Galípolo, o Banco Master teve seu pedido inicial de autorização negado pelo próprio Banco Central em fevereiro de 2019, em razão da falta de clareza na origem dos recursos apresentados para constituição do capital. “A origem dos recursos não estava clara e o diretor então na época rejeitou.”

A negativa se deu justamente por um dos critérios mais fundamentais para o funcionamento de uma instituição financeira: a comprovação da origem dos recursos dos acionistas. Ainda assim, poucos meses depois, o cenário mudou.

De acordo com o presidente do Banco Central, a autorização para funcionamento foi concedida em outubro de 2019, já sob a presidência de Roberto Campos Neto. Na ocasião, foi apresentada uma nova explicação sobre a origem dos recursos, que passou a ser considerada suficiente pela autoridade monetária. “Apresentou uma outra origem de recursos e a partir daí estava atendido.”

A sequência dos fatos evidencia uma mudança de entendimento dentro do próprio Banco Central em um intervalo curto de tempo. Um banco que havia sido rejeitado por inconsistência relevante foi posteriormente autorizado a operar no sistema financeiro após reapresentação de informações.

Galípolo também indicou que análises mais aprofundadas sobre a situação do banco só ocorreram anos depois. Segundo ele, foi apenas em 2023 que houve solicitação de avaliação mais detalhada sobre a carteira e o balanço da instituição, com novas medidas sendo adotadas ao longo de 2024.

Outro ponto relevante das declarações é a natureza do problema identificado no Banco Master. De acordo com o presidente do Banco Central, a questão central não estava nos passivos, como frequentemente se sugere no debate público, mas na composição dos ativos. O banco operava com captação de recursos no varejo e aplicação em ativos de menor liquidez, gerando um descasamento estrutural que aumentava o risco financeiro.

Ao comentar os critérios de autorização, Galípolo ressaltou ainda que o Banco Central não pode tomar decisões com base em percepções ou elementos subjetivos, sendo necessário respaldo em fatos jurídicos concretos.

As informações apresentadas colocam em evidência não apenas o funcionamento do Banco Master, mas também o processo que levou à sua autorização. O caso passa a envolver, portanto, não só eventuais irregularidades posteriores, mas também decisões tomadas no momento em que a instituição foi considerada apta a operar no sistema financeiro.

Diante desse cenário, o debate sobre o caso Master amplia seu alcance e passa a incluir o papel da regulação, os critérios adotados para autorização de instituições financeiras e o tempo de resposta da supervisão diante de sinais de risco.

Da Redação

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