Banco do Brasil

5 de Agosto de 2026 às 18:45

Banco do Brasil tenta impor direito de resposta após críticas do Sindicato dos Bancários de Brasília à gestão da instituição

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Brasília, 5 de agosto de 2026.

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Brasília torna pública a controvérsia instaurada pelo Banco do Brasil após a divulgação de críticas à atual gestão da instituição financeira. O episódio teve início em 29 de maio de 2026, quando o Sindicato publicou a edição do informativo Espelho DF intitulada “Conselhos ignorados, erros repetidos”.

A publicação apresentou uma avaliação política e sindical sobre os rumos do Banco do Brasil e os efeitos de suas decisões sobre trabalhadores e usuários. O informativo tratou da redução do atendimento presencial, da retirada de empregados e estruturas das agências, das filas enfrentadas pela população, dos descomissionamentos, da ampliação da jornada no âmbito do Modelo de Atuação em Desenvolvimento, o MAD, da cobrança de metas, do adoecimento dos funcionários e da ausência de diálogo efetivo com as entidades representativas.

A edição utilizou recursos próprios da comunicação política e sindical, como ironia, sátira, imagens e cordel, para questionar o contraste entre o discurso institucional da direção do Banco e a realidade relatada pelos trabalhadores nos locais de trabalho. Também criticou o esvaziamento do papel social de uma instituição financeira pública e a priorização crescente de critérios estritamente comerciais na condução do Banco.

Em 22 de julho de 2026, quase dois meses após a publicação, o Banco do Brasil encaminhou notificação extrajudicial ao Sindicato exigindo a divulgação integral de um texto elaborado pela própria instituição, nos meios impresso e digital, com o mesmo destaque atribuído à matéria original e no prazo de sete dias corridos.

Na notificação, o Banco classificou o conteúdo sindical como falso, incompleto e descontextualizado. Também acusou o Sindicato de promover uma campanha de desqualificação pessoal contra a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e atribuiu à publicação conteúdo misógino e xenofóbico, além de mencionar suposta injúria, difamação, uso indevido do nome e da marca da instituição e utilização irregular da imagem da dirigente.

O Sindicato dos Bancários de Brasília rejeita de maneira expressa e categórica todas essas acusações. A entidade não praticou misoginia, xenofobia, injúria, difamação, uso ilícito de imagem ou marca, nem qualquer outra conduta ilegal ou discriminatória. A publicação teve como objeto a atuação pública da direção do Banco, suas políticas empresariais e as consequências dessas decisões para os empregados e para a população.

A discordância com a gestão de uma dirigente mulher e nordestina não transforma, por si só, uma crítica política em discriminação de gênero ou de origem regional. O Sindicato não utilizou a condição feminina, a origem, o sotaque ou qualquer atributo pessoal da presidenta do Banco como fundamento para inferiorizá-la. A crítica foi dirigida à sua atuação como principal autoridade executiva da instituição e às decisões administrativas que representa.

A acusação também contraria frontalmente a trajetória do Sindicato, que mantém atuação firme e permanente no combate à misoginia, ao machismo, à violência contra as mulheres, ao racismo, à xenofobia, ao assédio e a todas as formas de discriminação. Essas pautas não constituem compromisso circunstancial, mas integram a identidade política e a prática cotidiana da entidade.

Para o Sindicato, o Banco procura deslocar o centro do debate. Em vez de responder às denúncias sobre falta de pessoal, sobrecarga, fechamento de guichês, redução do atendimento, descomissionamentos, aumento da jornada, adoecimento e ausência de diálogo, a instituição transforma a entidade denunciante em acusada e tenta enquadrar a crítica sindical como ataque pessoal.

O Sindicato sustenta ainda que não estão presentes os requisitos legais necessários ao reconhecimento do direito de resposta pretendido. A notificação foi apresentada pelo Banco do Brasil, pessoa jurídica, mas está fundamentada principalmente em supostas ofensas pessoais à presidenta da empresa. Além disso, o texto cuja publicação foi exigida vai muito além da correção de informações específicas e contém uma extensa defesa institucional da administração do Banco, acompanhada de acusações contra o próprio Sindicato.

O direito de resposta não pode ser convertido em instrumento de requisição dos meios de comunicação de uma entidade sindical, nem em autorização para que o empregador imponha a publicação gratuita de um manifesto de defesa de sua gestão. O Sindicato possui autonomia editorial e não está submetido à supervisão, à aprovação ou à tutela da direção do Banco do Brasil.

Apesar de não reconhecer a existência do direito de resposta nem a procedência de qualquer das acusações formuladas, o Sindicato decidiu divulgar voluntariamente a manifestação encaminhada pela presidenta do Banco do Brasil. O texto será publicado no site da entidade em 5 de agosto de 2026 e também na próxima edição impressa do Espelho DF.

A decisão decorre exclusivamente do espírito democrático, da pluralidade de opiniões e do compromisso com o diálogo social que sempre orientaram a atuação do Sindicato. A publicação não representa reconhecimento de culpa, ilicitude, prática discriminatória ou preenchimento dos requisitos previstos na Lei nº 13.188/2015.

O Sindicato dos Bancários de Brasília reafirma que continuará fiscalizando e denunciando as políticas do Banco do Brasil que afetem os direitos dos empregados, as condições de trabalho, o atendimento à população e o caráter público da instituição.

O Sindicato não será silenciado. Continuará denunciando, mobilizando e enfrentando toda medida que atinja os trabalhadores, os usuários e o Banco do Brasil como patrimônio do povo brasileiro.

Rodrigo Lopes Britto
Presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Brasília

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