Caixa Econômica Federal

19 de Junho de 2026 às 17:37

41º Conecef: derrubada de teto no Saúde Caixa, regulação de IA e defesa do caráter público marcam pautas dos bancários da Caixa

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​São Paulo – Os bancários da Caixa Econômica Federal finalizaram as propostas que farão parte da minuta de reivindicações a ser entregue ao banco. O documento unifica as demandas discutidas nas bases sindicais de todo o país e servirá como diretriz para as próximas mesas de negociação com a empresa, previstas para iniciar na próxima semana.

​Entre os eixos centrais aprovados no 41° Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), finalizado nesta sexta-feira (19), em São Paulo, destacam-se a sustentabilidade do plano de saúde, a melhoria das condições de trabalho frente às novas tecnologias e a manutenção da integridade institucional da Caixa como banco público e com funções sociais.

Saúde Caixa e Previdência no topo das prioridades

​Uma das principais bandeiras da categoria nesta campanha será o fortalecimento e melhorias do Saúde Caixa. Os trabalhadores exigem o fim do teto de gastos imposto pelo banco, que resulta em aumento da contrapartida por parte dos trabalhadores. A categoria pede o retorno ao modelo inicial, com contribuição de 70% da Caixa e 30% dos empregados. De acordo com Antônio Abdan, secretário de Finanças do Sindicato e representante da Fetec Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), a atual divisão financeira sufoca os empregados.

​"O plano deve ser isonômico, ou seja, o mesmo para todos os empregados. Queremos que aqueles que entraram em 2018 possam também carregar o plano para a aposentadoria como os demais. Mas primeiro a gente precisa derrubar o teto, que é a nossa principal reivindicação", afirmou Abdan.

​Na previdência complementar (Funcef), os debates focaram na governança, no fim do voto de minerva por parte da gestão da empresa e na revisão do modelo de equacionamento de déficits, considerado injusto pelos trabalhadores devido a passivos causados por decisões da própria Caixa. "Nós queremos que o nosso fundo seja forte, queremos que ele consiga entregar aquilo a que se propõe, que é a aposentadoria dos que já estão hoje aposentados e daqueles que irão aposentar. Então nós queremos um plano que seja saudável, um plano que seja economicamente viável."

​Inteligência artificial e condições de trabalho

​A modernização tecnológica e o avanço da Inteligência Artificial (IA) no setor bancário também ganharam destaque na pauta. A categoria sinalizou que não se posicionará contra a tecnologia, mas exigirá salvaguardas contra demissões em massa e o adoecimento profissional decorrente de metas abusivas atreladas a programas de remuneração variável.

​"A IA não ficou de fora desses debates porque hoje é a realidade que nós temos. Nós entendemos que ela tem que ser usada para facilitar a vida do trabalhador, e não ser utilizada como um instrumento que vá substituir o trabalhador ou criar situações em que ele possa ser descartado", explicou o dirigente sindical.

Sobre as condições de trabalho e imposição de metas, os delegados entendem que será necessaro mudar , já que essa situação leva ao adoecimento do empregado. "​Então, a gente tem uma preocupação qade não validar nada que possa adoecer o empregado, que possa ser maléfico para o empregado."

Por outro lado, a remuneração variável é uma política da empresa e faz parte do dia a dia do empregado. Então os trabalhadores não pode deixar de fazer esse debate. "Então, essa foi uma polêmica grande e decidimos que vamos participar dessas discussões com vistas ao aprimoramento do processo e para abolir da empresa tudo aquilo que pode ser utilizado para assediar e pode ser utilizado para adoecer o trabalhador."

​A diversidade interna e a inclusão de Pessoas com Deficiência (PCD) também foram pautadas, com propostas para otimizar o uso do teletrabalho de forma a acomodar funcionários que enfrentam severas barreiras de mobilidade urbana.

​Defesa da Caixa 100% pública

​No plano macro, os trabalhadores reforçaram o posicionamento histórico de blindagem do banco contra investidas do mercado privado. A pauta consensual rejeita modelos de privatização disfarçada, terceirizações e a crescente "pejotização" de funções internas.

​"Nós entendemos que a Caixa precisa ser 100% pública. Que ela continue ocupando o espaço que tem que ocupar e seja do povo brasileiro. Somos contra a privatização, a terceirização e a pejotização. Queremos uma Caixa totalmente pública para que o resultado dela volte para o Estado, e não para enriquer uma família ou outra", disse Abdan.

​Calendário e mobilização

No Conecef, delegados consolidaram as propostas que vieram de todos os sindicatos, de todo o país, cujos temas foram discutidos nas bases. "Nós trouxemos para cá, fizemos uma compilação, até porque muita coisa que foi discutida em um, foi discutida em outro também. Então nós pegamos todas essas propostas e vamos transformá-las numa minuta para poder entregar para a Caixa Econômica Federal", explicou o diretor.

A entrega formal da minuta unificada com as reivindicações gerais do setor financeiro está agendada para a próxima quarta-feira, dia 24, quando os comandos darão o pontapé inicial às rodadas de negociação.

​Os representantes sindicais alertam, contudo, que o sucesso das negociações dependerá diretamente do engajamento dos 84 mil trabalhadores da Caixa. "A parte da organização praticamente nós estamos finalizando. O que vai vir agora são as negociações, e neste momento a gente precisa se mobilizar. Precisamos tensionar como trabalhadores, e a gente só faz isso estando juntos".

Jô Miyagui
Colaboração para o Sindicato

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