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28 de Novembro de 2013 às 18:21

3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias conta com participação das trabalhadoras do DF

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Crédito: Paulo Pepe/Contraf-CUT
3º encontro nacional de mulheres bancarias
O Coletivo Nacional das Mulheres da Contraf-CUT instituído no encontro

O debate sobre a situação da mulher no mercado de trabalho, especialmente das trabalhadoras do ramo financeiro, foi destaque no 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, realizado em São Paulo nos dias 25, 26 e 27 de novembro. As diretoras do Sindicato Helenilda Ribeiro, Rosane Alaby e Vanessa Sobreira participaram do evento e levaram questionamentos das bancárias do Distrito Federal. 

“O Encontro foi uma excelente oportunidade para discussão da situação das mulheres nos bancos. Temos que cobrar que exista de fato a igualdade de oportunidades nas instituições financeiras. Vemos que a discriminação por gênero ainda existe em larga escala e temos que nos unir para lutar contra isso”, ressalta Rosane Alaby.

As bancárias lembraram a conquista da realização do 2º Censo da Diversidade em 2014. A pesquisa é reivindicação do movimento sindical para avaliar a situação da mulher bancária no mercado de trabalho, bem como de outros segmentos no ramo financeiro. O Censo disponibilizará informações mais completas a respeito das ocupações dos trabalhadores, sobre o tempo e permanência no emprego e progressão profissional, entre outros pontos. Os dados específicos das mulheres poderão ser comparados com os do 1º Censo, feito em 2008 para verificar o nível de ascensão e reconhecimento das mulheres no setor.

Desigualdade já no ingresso no mercado de trabalho

Os diversos paineis apresentados no Encontro confirmaram que a desigualdade pautada somente pela questão de gênero ainda existe nos bancos. A economista, pesquisadora do Cesit/Unicamp e assessora sindical Marilane Oliveira Teixeira mostrou traços dessa realidade na palestra "Articulação entre Trabalho Produtivo e Trabalho Reprodutivo".

A inserção historicamente privilegiada dos homens em relação às mulheres é o principal aspecto relacionado à desigualdade de gênero no mercado de trabalho destacado pela pesquisadora. O problema não está na recuperação econômica, que tem sido favorável nos últimos anos, com considerável geração de postos de trabalho. A questão central está na inserção do homem num contexto bem mais favorável que o das mulheres.

Segundo Marilane, o capitalismo acentuou a disparidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ao considerar inconciliável a atividade feita em casa e fora por uma única pessoa que seria responsável ao mesmo tempo pela reprodução social e mercado de trabalho.

"Se parte da reprodução da força de trabalho é exercida gratuitamente no âmbito doméstico, parte dos meios necessários para se produzir a força de trabalho também é gratuita. Por este motivo, a força de trabalho também se reduz", explica Marilane.

Discriminação das mulheres nos bancos aumenta

As mulheres ainda são sub-representadas no sistema financeiro em comparação com a população economicamente ativa no Brasil. Elas já são maioria nos bancos privados, principalmente nas faixas salariais até sete salários mínimos, são mais escolarizadas que os homens, mas ganham em média 23,9% menos que os trabalhadores do sexo masculino - diferença que cresce com a ascensão profissional e com o aumento da escolarização das bancárias.

Essas são as principais conclusões da pesquisa realizada pelo Dieese-Rede Bancários com base nos dados da Rais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentada no último dia do 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias.  

 

Dos 512 mil trabalhadores do sistema financeiro nacional em dezembro de 2012, as mulheres representavam 48,7% - índice menor que o da participação feminina na População Economicamente Ativa (PEA), que no mesmo período era de 54,1%. Tomando o sistema como um todo, as mulheres só são maioria em São Paulo (53%) e no Rio de Janeiro (51%).

Embora a porta de entrada das mulheres no sistema financeiro tenha sido nos bancos públicos - primeiro no Banespa e depois no Branco do Brasil, na década de 1960 -, houve uma inversão nas últimas décadas e hoje elas são maioria nos bancos privados.

"Não é difícil compreender por que isso ocorreu. Com a mudança do trabalho bancário, que se transformou essencialmente em venda de produtos, os bancos privados passaram a ressaltar as 'qualidades das características femininas', como paciência e habilidade no trato com os clientes, e nos casos mais graves chegando a explorar a imagem do corpo feminino", interpreta Barbara Vallejos Vazquez, técnica do Dieese-seção Contraf-CUT, que fez a apresentação do estudo.  

No topo, bancárias são minoria e ganham menos

As mulheres só são maioria nos bancos até os postos de trabalho com remuneração até sete salários mínimos. Na faixa entre sete e dez salários mínimos, é igual o número de homens e mulheres no setor como um todo. A partir daí, a participação feminina vai decrescendo quase que na mesma proporção do aumento da remuneração. Exceto no segmento de gerência, que tem contato direto com os clientes, onde as mulheres são maioria (52,5%). Nas diretorias dos bancos, há 1.798 homens e apenas 457 mulheres.

Na média do sistema financeiro, as mulheres ganham 23,9% menos que os homens. Mas cresce a diferença salarial em relação aos trabalhadores do sexo masculino à medida que as mulheres vão ascendendo na carreira e aumentando a sua escolarização.

A remuneração média dos homens gerentes, por exemplo, é de R$ 7.251 e o das mulheres gerentes cai para R$ 5.221 - uma diferença de 38,8%. A diferença de remuneração também aumenta quanto maior for a escolaridade da categoria bancária. Entre os que têm superior incompleto, as mulheres ganham 19% menos que os homens. No segmento de superior completo, a diferença aumenta para 27%. Sobe para 33% entre os que possuem mestrado e chega a 56% na faixa dos que têm doutorado.

Desafios para combater discriminação

O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, avalia que os principais desafios dos bancários no futuro imediato são as negociações nas mesas temáticas (como saúde e condições de trabalho, igualdade de oportunidades, segurança bancária) e as campanhas por bancos, com foco na defesa do emprego, principalmente nas instituições privadas.

"Essa discriminação é inaceitável e a melhor estratégia para combatê-la é por intermédio da implementação de planos de cargos e salários em todos os bancos", afirmou Carlos Cordeiro.

 

Da Redação com Contraf-CUT  
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