Sindicato lança pesquisa para investigar adoecimento em plataformas digitais 

PARTICIPE!

Sindicato lança pesquisa para investigar adoecimento em plataformas digitais  Destaque

Sindicato lança pesquisa para investigar adoecimento em plataformas digitais 

Resultado de imagem para plataformas digitais

O Sindicato lança neste domingo 28, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e de Doenças do Trabalho, uma pesquisa para investigar patologias relacionadas às plataformas digitais. A pesquisa é uma ação pioneira no país, motivada pela observação das condições de estresse nos escritórios digitais e dos depoimentos dos bancários. O objetivo é subsidiar as políticas e práticas sindicais e institucionais de prevenção às doenças que afetam os bancários, em especial as LER/Dort (Lesões por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), o adoecimento mental, com ações voltadas também contra o assédio moral e o suicídio. 

Coordenada pela professora Ana Magnólia, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da UnB, a pesquisa será realizada com os trabalhadores dos escritórios digitais dos bancos. Nesses locais, observa-se uma nova organização do trabalho que expõe os trabalhadores a fatores que podem vir a desencadear as LER/Dort, além dos transtornos psíquicos, doenças ocupacionais que mais atingem a categoria. 

  • Para participar da pesquisa, acesse http://bit.ly/2V4IsZa, link que também será enviado por email para os trabalhadores das plataformas digitais. Vale destacar que as respostas serão enviados diretamente para o banco de dados do Laboratório PCT da Universidade de Brasília, garantindo, assim, o sigilo e anonimato dos participantes. 

O total de bancários afastados por doença cresceu 30% entre 2009 e 2017. Pelo menos metade desses casos foram decorrentes de transtornos mentais e comportamentais, que aumentaram 61,5% no período, e de enfermidades relacionadas a lesões por esforço repetitivo, que tiveram incremento de 13%. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho, os bancos foram responsáveis por 5% dos trabalhadores afastados por doença entre 2012 e 2017, enquanto a categoria representava 1% dos empregos no país. 

Para a professora da UnB, o sofrimento e adoecimento dos trabalhadores são causados pela organização do trabalho, que visa o lucro acima de tudo e de todos.

“Sabemos que uma pesquisa não é a solução para as causas do adoecimento pelo trabalho, mas é um passo fundamental para dar visibilidade a esta modalidade de organização do trabalho - em plataforma digital - que tem gerado muitas queixas dos trabalhadores, sofrimento e afastamentos. Assim, sua resposta é uma oportunidade para identificar esses riscos e construir coletivamente estratégias de luta para prevenção e promoção da saúde do trabalhador, que tem se agravado intensamente”, esclarece Ana Magnólia. 

Lesões irreversíveis 

A realização desta pesquisa foi anunciada pela secretária de Saúde e Condições do Trabalho do Sindicato, Mônica Dieb, durante evento que marcou o Dia Mundial de Combate às LER/Dort, em 28 de fevereiro. 

Na ocasião, foi realizada visita aos escritórios digitais dos bancos e os diretores do Sindicato alertaram sobre os riscos dessas enfermidades profissionais que acometem a categoria desde os anos 1990, causando dor e sofrimento. “E o que é pior, dependendo do agravamento, podem se tornar lesões irreversíveis e incapacitantes, comprometendo também a vida social e o bem-estar psíquico dos trabalhadores”, alerta Mônica. 

“Os bancários se submetem a uma conexão ininterrupta aos canais de atendimento digital do banco, durante sua jornada de trabalho, condição que, somada aos fatores de gestão e pressão por metas abusivas e o número elevado de clientes por carteira, pode piorar os índices de adoecimento desse segmento”, comenta Wadson Boaventura, secretário de Saúde da Fetec/CUT-CN. 

Mônica ressalta que é um direito do trabalhador ter um ambiente de trabalho saudável. “Esse direito está garantido na Constituição Federal, artigos 196 e 200, III, e na convenção 155 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), e não podemos deixar que os bancários adoeçam por conta de um modelo de trabalho que os bancos estão implementando em detrimento da saúde do trabalhador”. 

Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e de Doenças do Trabalho (28 de abril) 

Nesse dia em que as vítimas dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho são homenageadas, é também um momento em que os movimentos sindicais enfatizam a luta por melhores condições de trabalho e para que se busquem formas de prevenção. A data foi criada para lembrar a morte de 78 trabalhadores vítimas da explosão de uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, em 1969. 

Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) consagrou a data como o dia para reflexão e manifestação dos trabalhadores sobre a segurança e saúde no trabalho. No Brasil, a data foi reconhecida em 2005. 

Acidente no trabalho: Brasil ocupa o 4º lugar 

Segundo a OIT, são 6,3 mil trabalhadores mortos por dia, o equivalente a 2,3 milhões por ano. Atualmente, o Brasil é o quarto colocado no ranking de acidentes de trabalho no mundo e a situação pode piorar em função da reforma trabalhista que já está em vigor no Brasil. A subnotificação também é um entrave porque camufla um cenário que é muito mais alarmante. 

Os acidentes de trabalho no país já causaram a morte de, ao menos, 653 pessoas em 2018. Os dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da OIT, que consideram apenas os casos que foram comunicados ao Ministério do Trabalho.

Mariluce Fernandes
Do Seeb Brasília