‘Prisioneiro 12.207’, que mostra os horrores da ditadura, está em cartaz no Sesc Garagem neste final de semana

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‘Prisioneiro 12.207’, peça criada pela Casa de Ferreiro Companhia de Teatro em parceria com o Sindicato para lembrar os horrores da ditadura, faz sua segunda temporada pelo Projeto Sesc + Cultura, neste sábado (7) e domingo (8), no Sesc Garagem (913 Sul), sempre às 20h. O espetáculo, que está completando 60 anos, participou de três festivais de teatro pelo Brasil, ganhou 5 prêmios e acumulou outras 9 indicações, e já foi visto por cerca de 1.500 pessoas.

A peça se passa no período que sucede o golpe militar, quando o Brasil se vê mergulhado em uma longa noite de terror, já que durante 21 anos, o país viveu sob um regime autoritário, que restringiu os direitos políticos, censurou a imprensa, além de perseguir e torturar milhares de brasileiros que se tornariam vítimas das violações dos direitos humanos mais básicos.

Alex, um fã dos Mutantes, vende discos numa loja de vinis. Ele é preso e torturado pela ditadura e tem sua rotina de torturas alterada pela chegada de Martina, uma mulher misteriosa que parece vir do passado para despertar seus sentimentos mais profundos e confrontá-lo com verdades que podem mudar o destino dele e do seu país.

Dividido entre uma conversa intensa com Martina e outra com um rato, seu companheiro de cela, que reflete sua solidão e sua fragilidade, vemos dois artistas entregues a uma história dura, mas redentora que mistura realidade, dor, amor, angústia e esperança.

Um alerta para as novas gerações

A peça é também uma homenagem aos que resistiram à ditadura, deram suas vidas pela liberdade e tiveram seus nomes esquecidos pela história e o grupo não esconde o desejo de que o trabalho possa servir como um alerta para as novas gerações sobre os perigos de se repetir os erros do passado. “São crueldades que aconteceram há pouco tempo. E se observando atentamente fica nítido que estas as ameaças à liberdade humana ainda rondam a sociedade”, diz Silvia Viana, produtora e atriz da peça.

Fruto de uma extensa pesquisa sobre o tema, a dramaturgia se baseia em livros, documentos, poemas e depoimentos de pessoas que sofreram na pele as violações dos direitos humanos, além de se inspirar livremente em trechos do relatório da Comissão da Verdade, que investigou os crimes cometidos pelo regime.

Segundo Bruno Estrela, que também assina o texto da peça, foi difícil ler trechos que detalhavam as atrocidades cometidas e realizar mentalmente a dor das vítimas e dos familiares para transpor para o papel com um recorte ficcional. “Foi muito doloroso, mas só reforçou a minha certeza de que era preciso contar essa história mais uma ou dez vezes para que ela não seja esquecida, ou pior, distorcida de forma cruel”, explica.

Prêmios
Melhor dramaturgia — II FESTCARAS (DF)
Melhor trilha — XVI FESTIBI (PR)
Melhor iluminação — XVI FESTIBI (PR)
Melhor ator — XVI FESTIBI (PR) e FESTCARAS(DF)

Indicações
Melhor atriz — XVI FESTIBI (PR)
Melhor direção — XVI FESTIBI (PR) e II FESTCARAS(DF)
Melhor figurino — XVI FESTIBI (PR)
Melhor maquiagem — II FESTCARAS(DF)
Melhor cenografia — XVI FESTIBI (PR)
Melhor dramaturgia — XVI FESTIBI (PR)

Serviço
‘Prisioneiro 12.207’
Local: Sesc Garagem (913 Sul)
Dias: sábado (07) e domingo (08)
Horário: 20h
Dramaturgia – Bruno Estrela
Direção geral e atuação – Bruno Estrela e Silvia Viana
Diretor convidado – André Amahro
Música – Joe Silhueta (Gaivota Naves e Guilherme Cobelo)
Assistente de produção e sonoplastia – Marcelo Lucchesi
Figurino – Silvia Mello
Iluminação – Manu Castelo Branco e Cleiton do Carmo
Fotografia – Cleiton do Carmo e Humberto Araujo
Citações poéticas – Alex Polari
Classificação indicativa: 14 anos

Da Redação