Publicado: 21/07/2008 - 16:33
No começo dos anos 1980 ainda perdurava no Brasil o regime militar, que se enfraquecia com a situação econômica caótica que tomava conta do país, com desemprego, repressão, inflação. A crise se agrava em 1982, quando o governo passa a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e torna o Brasil refém de suas determinações. A nova política elevou os juros para conter a inflação e determinou novas regras para os salários, com decretos de arrocho salarial.
A situação era insustentável e o clima de insatisfação preconizava a greve geral. Em maio de 1983, o governo baixa o Decreto-Lei 2.025, que previa a extinção de benefícios dos trabalhadores das empresas estatais. Para conter os protestos que se desencadeavam, o governo e a grande imprensa iniciam uma campanha contra esses trabalhadores com a alegação de que eram privilegiados que ganhavam acima da média e contavam com benefícios que a sociedade não podia bancar.
No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando publicamente suas posições. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.O governo recuou, mas no dia 29 de junho o presidente Figueiredo anuncia mais um decreto de arrocho, o nº 2.036, que retira praticamente todos os direitos do funcionalismo, acabando com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros. Alguns dias depois, em 05 de julho, os petroleiros do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a ditadura militar. Foram 153 trabalhadores demitidos o correspondente a 10% do efetivo, além da intervenção no Sindicato e cassação de dirigentes.
Os petroleiros de Mataripe, no Estado da Bahia, também entraram em greve. O sindicato foi igualmente interditado e foram 205 demissões. Os metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema pararam em solidariedade aos petroleiros e o sindicato da categoria foi outro que sofreu intervenção, com o exército de prontidão no ABC Paulista.
No dia 14 de julho de 1983, um novo decreto o famoso 2.045 foi publicado pelo governo com o objetivo de arrochar ainda mais os salários. A medida atingia também os aluguéis e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
A greve geral era iminente e uma intensa mobilização de membros do governo federal foi desencadeada para tentar evitar a paralisação com ações severas para reprimir o movimento. Mesmo sob ameaças, os dirigentes sindicais trabalhavam freneticamente para dar os últimos retoques nos preparativos da greve. Milhares de panfletos foram distribuídos por sindicatos e pela Comissão Pró-CUT, orientando os trabalhadores. Um comando-geral da greve dirigia os preparativos por meio de uma central de informações instalada na Câmara Municipal de São Paulo. Outra comissão de dirigentes sindicais visitou a Assembléia legislativa.  |
| Panfleto |
21 de julho - Greve geral
Com toda essa mobilização, o dia 21 de julho de 1983 amanheceu com cerca de 3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras de importantes categorias em vários estados parados. As pressões e a feroz repressão desencadeada contra as direções dos sindicatos que lideraram a greve foram intensas. Só na Grande São Paulo, houve mais de 800 prisões. Mas o saldo da greve geral foi considerado amplamente positivo.O dia 21 de julho de 1983 ficou assinalado na história como a data em que os trabalhadores protagonizaram o maior desafio ao regime de 1964. Logo em seguida, no 28 de agosto, os trabalhadores criam a Central Única dos Trabalhadores (CUT) - Nasce um sindicalismo autêntico que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.